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CPAS - Artigos de fotografia subaquática: Close focus - Wide angle

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Quarta-Feira, 26 de Abr 2017 . 18:41

 

ARTIGOS DE FOTOGRAFIA SUBAQUÁTICA

Por Rui Guerra

Close focus - Wide angle

A utilização de objectivas de grande angular em fotografia subaquática teve como objectivo principal o de conseguir incluir na imagem as grandes paisagens submarinas sem ser necessário um afastamento exagerado. Naufrágios, recifes a fervilhar de vida, grutas, baleias e grandes cardumes de peixe são apenas alguns exemplos de motivos que exigem objectivas de ângulo superior a 90º.

 

Com o passar do tempo e a consequente evolução do equipamento, começaram a surgir fotógrafos que tiravam partido de uma outra característica destas objectivas: a sua capacidade de focar a distâncias muito curtas. Conseguir fotografar a 20 cm ou menos com uma objectiva deste tipo constitui uma ferramenta fortíssima que, nas mãos certas, produz resultados espectaculares. Esta capacidade foi levada ao extremo com o lançamento da objectiva Nikkor 10,5 mm DX, uma fisheye desenhada para as máquinas digitais reflex da Nikkon de modo a manter os 180º de ângulo da conhecida 16 mm, mas, desta feita, com a impressionante capacidade de focar a 3 cm da frente da objectiva! Debaixo de água isto significa que se consegue focar o próprio vidro do frontal da caixa estanque…

 

Pegue-se num ângulo o maior possível, junte-se uma distância tão curta quanto se consiga, aplique-se ao motivo escolhido e tempere-se com uma pitada de flash. Coloque tudo na forma da composição de imagem e coza-se no forno da ponderação o tempo que for necessário. Eis a receita para uma excelente CFWA, sigla de Close Focus – Wide Angle.

 

Todas as características duma grande angular são aqui exageradas, particularmente a perspectiva, a interligação espacial entre os diversos elementos da imagem, reforçando a dimensão e importância dos primeiros planos e reduzindo proporcionalmente o segundo plano. Quando se recorre à colaboração de um modelo, a sua colocação num plano mais afastado fá-lo parecer ainda mais pequeno ao passo que o motivo em primeiro plano parecerá desmesuradamente grande. Isto tem o efeito acessório de fazer o observador acreditar que o modelo está muito longe, dando a ilusão de que a visibilidade é maior do que na realidade o é.

 

Esta proximidade do primeiro plano trás no entanto algumas dificuldades do ponto de vista técnico.

Em primeiro lugar, em algumas situações, não é fácil ter espaço físico suficiente para utilizar convenientemente uma caixa estanque com o seu grande frontal curvo e mais dois braços articulados com dois flashes potentes nas extremidades. Há assim que escolher cuidadosamente o motivo e o enquadramento, tentando logo à partida visualizar o local de onde se irá fotografar. Preferencialmente deve-se pré-ajustar a posição do/s flash/es, ainda que grosso modo, antes de nos colocarmos em posição. Ganha-se tempo, espaço de manobra e evita-se assustar o motivo e/ou levantar sedimentos na sua proximidade. Não esquecer que quase sempre necessitamos de estar muito próximos do substrato e que, contrariamente a uma situação de macro, a existência duma área de água livre na imagem final torna a existência de qualquer suspensão ainda mais notória.


Caso se pretenda que a objectiva foque ainda mais perto, pode-se fazer uma de duas coisas: ou se coloca uma lente de aproximação na frente da objectiva (uma +2 ou +4 será adequada), o que reduzirá o ângulo de visão e a profundidade de campo, ou se afasta a imagem virtual criada pelo domo, quer através de anéis de extensão entre este e a caixa estanque, quer substituindo o domo por um de maior diâmetro. No entanto deve-se manter um olho nos problemas de vinhetagem que poderão ocorrer com esta última opção.

Por uma questão de zelo e ética, há que ter especial cuidado com a vida marinha e com a frente do domo. É exactamente neste tipo de fotografia que os riscos no frontal acontecem… Em segundo lugar surge a dificuldade de iluminar convenientemente algo tão próximo. Por um lado a curta distância e a posição/dimensão do motivo aconselham à proximidade dos flashes, por outro a utilização duma objectiva de grande angular e as próprias características dos flashes aconselham o seu afastamento. Caminha-se sobre uma ténue linha que separa o êxito do fracasso em termos de iluminação. Escusado será dizer que o controlo manual do flash, por oposição ao TTL, será aquele que permite uma maior criatividade e resultados mais expectáveis.

Por uma questão de facilidade de utilização, e se o/s flash/es possuir/em uma cobertura luminosa ampla e homogénea, pode-se optar por utilizar braços um pouco mais curtos que os standard de grande angular. Um braço articulado com duas secções de 20 cm cada será amplamente suficiente em CFWA. A escolha é uma questão de preferência pessoal e poderá ser limitada também pela configuração do nosso conjunto, pelo modo de fixação dos braços à caixa, pelo facto de ser apenas um ou dois flashes e pela frequência com que se realizam tomas verticais.

Também a luz natural do segundo plano merece umas palavras. Se quisermos ter uma ideia precisa de como a cena irá ficar, é preferível utilizar a medição pontual de modo a ser possível medir vários pontos na coluna de água e decidir de um modo preciso qual a tonalidade de azul que se pretende. Com máquinas digitais há que, como sempre, verificar o histograma bem como o alarme de sobreexposição, a qual deve ser evitada a todo o custo. Para destacar melhor o motivo deve-se tentar visualizar a cor/tonalidade com que ficará (usar a luz de mira do flash ou uma lanterna) de modo a poder contrastá-lo melhor com a tonalidade de azul da água do segundo plano.




A composição de imagem é talvez o factor mais importante em CFWA. É ela que será responsável pelo impacto final da cena e poderá ser ela que deitará tudo a perder se não for bem ponderada. Utilizar ângulos bem contra-picados de modo a eliminar do enquadramento todo e qualquer elemento do fundo rochoso circundante (se não acrescentar nada à imagem). Se há um tipo de fotografia em que é importante simplificar a imagem é sem dúvida este. Cada elemento estranho incluído só servirá para enfraquecer a foto. O resultado deve poder ser descrito numa simples frase e não em várias. Fotografe frases e não parágrafos!

 

Para finalizar, uma palavra de incentivo. Nas nossas águas, com visibilidades quase sempre reduzidas e relativamente poucos motivos, é a capacidade técnica e criativa de cada um que pode fazer a diferença. Num mergulho sem nada de especial o encontrar uma bonita gorgónia deve ser aproveitado ao máximo. Recorrendo à CFWA pode-se obter umas imagens cheias de cor e contraste. Uma simples esponja, um pequeno buraco ou qualquer outra coisa podem ser aproveitados e fazer com que afinal o mergulho tenha valido a pena, fotograficamente falando.

 

Boas fotos!
Rui Guerra

 

 
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