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CPAS - Artigos de fotografia subaquática: Controlo do flash

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Terça-Feira, 23 de Mai 2017 . 21:27

 

ARTIGOS DE FOTOGRAFIA SUBAQUÁTICA

Por Rui Guerra

Controlo do flash

 

Quando se fala em fotografia subaquática, surge logo a ideia de que se vai utilizar um flash. Efectivamente é uma peça do equipamento de suma importância e que é utilizada em mais de 90% das fotos. Contrariamente ao que é vulgar acontecer acima da superfície em que a sua utilização sistemática, ao ar livre, não parece evidente, debaixo de água torna-se numa ferramenta imprescindível que é imperioso conhecer e controlar devidamente. Sem ele a maioria das imagens teriam um aspecto monocromático, primando pela falta de contraste e tridimensionalidade. Na sua utilização, repor as cores deve ser a prioridade, doseando-se correctamente a luz por ele emitida: pouca luz implica cores muito escuras ou a sua total ausência por uma acentuada subexposição, mas luz excessiva vai significar cores demasiado claras, esbranquiçadas, ou mesmo a sua completa sobreexposiçao.

 

Existem basicamente dois modos de controlo: TTL e Manual.

 

Controlo TTL

 

A sigla TTL (Trough The Lens) é indicativa do modo de como é feito esse controlo. Para o entendermos correctamente deverá ser compreendido que o “relâmpago” emitido pelo flash, apesar de nos parecer instantâneo, não o é na realidade. Com uma duração que pode oscilar aproximadamente entre 1/1000 e 1/30 000 de segundo, esta é mensurável e pode até ser dividida. Na realidade é sempre assim que se controla a quantidade de luz emitida por um flash, quer seja em TTL ou em Manual, reduzindo-se na proporção desejada o tempo durante o qual o flash emite luz. Tudo isto se passa de forma muito rápida, sendo necessário recorrer a células muito sensíveis e precisas para se conseguir dosear correctamente a luz emitida.

 

Esta célula TTL encontra-se normalmente colocada dentro do corpo da máquina, por baixo da objectiva e virada para a película ou sensor digital. Deste modo pode medir a luz reflectida por essa superfície, tentando obter uma exposição de luz artificial o mais correcta possível. O modo como é feita a leitura varia consoante a marca e o modelo de máquina, havendo diferenças substanciais no caso das máquinas digitais. Para aumentar ainda mais a complexidade da questão, consoante a marca utilizada também são atribuídos nomes diferentes ao tipo de TTL em causa.

 

 

Este é um caso típico em que o TTL não terá qualquer problema em produzir uma boa exposição, dadas as cores do motivo e a área abrangida.

A primeira distinção a fazer tem a ver com o modo como essa célula lê toda a área da imagem, podendo ir do mais simples, em que se dá uma grande relevância à zona central (medição TTL ponderada ao centro – utilizada na Nikonos V e na Motormarine II, p.ex.) até sistemas mais complexos e precisos em que a imagem é dividida em diversas zonas (5 no caso duma F70, 10 no caso duma F100, etc.) a cada uma das quais é consignado um segmento constituinte da referida célula. É assim possível melhorar grandemente a fiabilidade do sistema, permitindo uma correcta exposição de motivos mais pequenos e sem a necessidade de estarem completamente centrados. Estes sistemas chegam ao ponto de conseguirem detectar em que segmento está localizado o motivo principal, atribuindo-lhe deste modo uma maior relevância.

 

O modo de funcionamento do controlo TTL é bastante complexo e varia em função da tecnologia utilizada. P.ex., as máquinas analógicas da Nikon utilizam um sistema que se basea em duas fases distintas: na primeira, antes de se abrir o obturador e portanto antes da exposição propriamente dita, o flash dispara uma série de pré-disparos de controlo, muito curtos e imperceptíveis, que servem para analisar a reflectividade e outras características do motivo. A informação assim obtida é utilizada conjuntamente com a que se obtém durante a segunda fase, isto é, durante a exposição propriamente dita em que a célula mede continuamente a luz que vai sendo reflectida da película utilizada. Quando se atinge um certo nível é enviado um sinal ao flash de modo a cessar a sua emissão de luz. Como os flashes subaquáticos não têm capacidade para emitir esses pré-disparos, o controlo fica reduzido à segunda fase.

 

Com o aparecimento de máquinas digitais como a D100, surgiu um problema: é que o sensor digital utilizado não tem a mesma reflectividade que tem a película, portanto, a segunda fase da medição (durante a exposição), a única utilizável com flashes anfíbios, deixa de ser fiável! É o chamado D-TTL (Digital-TTL), que para os fotógrafos subaquáticos se transformou do Desaire do TTL, pois vêm-se confinados à utilização em manual dos seus flashes usuais. Solução: comprar um flash”terrestre” digital compatível e colocá-lo numa caixa estanque própria. Para além disto, surge um outro problema: deixa de ser possível utilizar dois flashes ligados em simultâneo e por cabos à caixa estanque, tendo alguns fabricantes optado por continuar a oferecer duas tomadas nas caixas, mas em que uma é exclusiva para ligar um flash “terrestre” digital e a outra para utilizar um vulgar flash anfíbio (em manual). Refira-se a este respeito que a Fuji, com a sua S2 Pro, também ela baseada numa máquina Nikon, resolveu a questão da melhor maneira, utilizando um sensor de características idênticas a uma vulgar película, possibilitando a utilização dos flashes anfíbios em TTL. Bravo!

 

Neste exemplo o fundo de coral reflectiu alguma luz do flash, ajudando o TTL a desempenhar a sua função relativamente ao sujeito principal.

Com o aparecimento das máquinas digitais de última geração da Nikon (D2H e D70) surge o aparecimento de mais uma forma de TTL, o i-TTL (intelligent-TTL) que promete revolucionar o mundo da fotografia. Na prática consiste em enviar informação digital codificada contida nos pré-disparos de controlo para comunicar com os restantes flashes. A sua principal característica reside na possibilidade de controlar, sem fios, um número quase ilimitado (teoricamente) de flashes, desde o seu modo de funcionamento até à quantidade de luz que emitem – tudo isto sem sair de trás na nossa máquina e com uma fiabilidade sem precedentes! Espantoso, sem dúvida! Mas…e parece que há sempre um “mas”, desta vez a incompatibilidade estendeu-se também aos anteriores flashes digitais da marca, obrigando à compra dos novos e sofisticados modelos, caso se pretenda utilizar esta nova tecnologia ou simplesmente o TTL. Mais uma vez, pelo menos por enquanto, estas inovações parecem arredadas do plano subaquático.

 

Independentemente do nome, marca ou tipo de TTL, há sempre situações em que ele falha, originando erros mais ou menos evidentes, razão pela qual alguns fotógrafos optam por simplesmente não o utilizar, controlando manualmente a luz dos seus flashes.

 

Controlo Manual

 

A opção aqui foi utilizar um flash em manual para dar algum detalhe à frente do coral, que se encontrava em contraluz.

Se a única informação possível fosse a potência dum qualquer flash, dificilmente se saberia utilizar essa informação na prática para obter uma correcta exposição. De facto, saber que são 200 watts a capacidade energética do nosso flash, pouco ajuda na hora de escolher a sua distância ou a abertura a utilizar. Há então outra grandeza, essa sim de toda a utilidade, chamada NG (Número Guia) a qual nos indica qual a abertura a utilizar para iluminar um motivo situado a 1 metro de distância (do flash), utilizando uma película de sensibilidade ISO 100. P.ex., se o NG for 11, significa que a 1 metro, deveremos utilizar f/11 (com ISO 100).

 

A fórmula é NG = abertura / distância, a qual é invertida para ser utilizada na prática, isto é, abertura = NG x distância. Repare-se que a duplicação da distância ou a sua redução para metade implicam uma variação de dois stops de luz (duas aberturas), e não de apenas um como se poderia pensar à primeira vista.

 

Repare-se que não se entra em conta com a velocidade de obturação, uma vez que esta é sempre mais baixa que a duração do disparo do flash, e portanto não influi em nada na iluminação por ele produzida. É o caso da fotografia nocturna ou da macro, em que se utiliza apenas iluminação artificial e portanto a escolha da velocidade é irrelevante.

Outro pormenor a ter em conta é o que diz respeito à distância a utilizar, devendo esta ser a real (não a aparente, no meio subaquático) e sendo “medida” entre o flash e o motivo, não entre a máquina e o motivo (podem ser diferentes). Apesar desta última ter alguma importância, ela é quase sempre diminuta face à primeira.

 

Quanto ao ISO, caso se opte por utilizar uma sensibilidade de 50, p.ex, será necessário mais luz para se obter a mesma exposição, ou seja tudo se passará como se o NG fosse 1 stop mais baixo, 8 no exemplo acima (e vice versa no caso de maiores sensibilidades). Cuidado com as indicações dos fabricantes, as quais por vezes vêm referidas com as distâncias em pés (converter o número para metros) ou que são dados para o fotómetro de superfície – fora de água (dividir por 2 ou por 3). De qualquer modo, é sempre saudável verificar o NG, durante um mergulho. Para isso, deve-se utilizar um rolo de diapositivos (slides) e disparar uma série de fotos a uma distância de 1 metro, variando as aberturas. Repetir para outro motivo e fazer mais duas séries a p.ex. 0,5 m. Não é necessário utilizar todas as aberturas desde o f/2.8 até ao f/22. Bastam aquelas em redor do NG indicado ou previsível. O motivo deverá ter uma cor intermédia, nem branca nem preta. Tomar apontamentos numa placa de escrever subaquática, anotando o número de cada foto, a distância e a abertura utilizada. No laboratório, pedir apenas a revelação (sem montagem no caixilho) para se poderem ver nos bordos o número das fotos. Caso o flash possua diversas regulações de potência (Full ou 1/1, ½, ¼, 1/8, etc) utilizá-las também.

 

Depois de regulada a luz ambiente, utilizaram-se dois flashes em Manual para restabelecer as cores e o contraste.

De facto, uma característica fundamental é a possibilidade e se regular manualmente a sua luz, através de um divisor de potências, que permite seleccionar diversas quantidades (durações) de luz, permitindo uma maior versatilidade.

 

O modo mais prático e fiável de sistematizar o uso do flash, para obter resultados consistentes, consiste em fazer uma pequena tabela impressa em computador e plastificada, que se irá colar na traseira da máquina para fácil e rápida consulta. Como em todas as áreas, a sistematização e o método compensam.

 

Boas Fotos!
Rui Guerra

 

 
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