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CPAS - Artigos de fotografia subaquática: Equipamento para macrofotografia

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Terça-Feira, 23 de Mai 2017 . 21:30

 

ARTIGOS DE FOTOGRAFIA SUBAQUÁTICA

Por Rui Guerra

Equipamento para macrofotografia

Generalidades

 

Nas próximas linhas vamos abordar as questões relativas ao equipamento utilizado na fotografia macro e close-up, bem como as suas implicações na imagem final. Um bom entendimento destas permite optar correctamente pelos equipamentos e técnicas a empregar.

 

Neste tipo de fotografia, é conveniente entender-se o que significa dizer que determinada imagem tem uma “relação de reprodução de 1:3”, p.ex. Esta “relação de reprodução” refere-se à relação de tamanhos entre uma unidade no filme (“1”) e o seu equivalente na realidade (“3”). Neste exemplo, 1 cm no filme representa 3 cm na realidade. Há pois aqui uma redução de dimensões. No caso de 1:1, estamos a trabalhar em tamanho real, onde as dimensões do motivo são fielmente reproduzidas no filme, sem qualquer aumento ou diminuição. Podemos assim fotografar um pequeno nudibrânquio, e com ele encher completamente a nossa foto. Quando se fala de 2:1, p.ex., significa que o motivo está representado na película com o dobro do tamanho.

 

Embora os limites não estejam rigorosamente definidos, é geralmente aceite que entre 1:10 e 1:4 pertencem ao domínio da fotografia de “close-up”; de 1:4 até 10:1 entra-se na “macro” e superiores a 10:1 é o reino da “microfotografia”.

 

Uma pequena chamada de atenção: nem sempre se deve buscar o maior aumento possível. Muitas vezes é o retratar do sujeito no seu ambiente que faz realçar uma foto, como na imagem acima, em que um pequeno caranguejo espreita à janela da sua casa (os restos de um ouriço).

 

Diversas soluções

 

Tanto com uma máquina de visor directo (Nikonos V, Motormarine III, etc.) como com uma máquina SLR (reflex) em caixa estanque, é possível obter excelentes resultados, havendo contudo algumas limitações e diferenças que importa analisar.

 

Quando entramos no domínio da macro, a profundidade de campo (zona à frente e atrás do motivo que nos parece perfeitamente focada) é da ordem do centímetro ou até poucos milímetros, o que obriga a um cuidadoso e preciso controlo do plano em que se pretende focar.

Por outro lado, devido à reduzida distância a que se trabalha, a diferença entre o verdadeiro enquadramento e aquilo que é visto através do visor, torna este último completamente inútil.

Por estas duas razões são utilizadas guias com o comprimento correcto (para definir a distância de focagem) e cuja distância entre elas delimita a área da imagem. No entanto, a existência destas, torna a fotografia de pequenos seres mais assustadiços bastante difícil, ou mesmo impossível caso se encontrem numa pequena fenda ou reentrância, como na imagem seguinte:

 

 

 

Uma nota para o problema da suspensão que é sempre um factor negativo e indesejado. Quando se enquadra o motivo, qualquer movimento inadvertido pode fazer com que as guias encostem ao substrato com menos subtileza, levantando uma pequena nuvem de sedimentos. Há que controlar bem a flutuabilidade e ser especialmente cuidadoso em dias de mar mais agitado em que uma mão firme é necessária.

 

Para se conseguirem os desejados aumentos, há quatro opções vulgarmente utilizadas:

 

A.

A) A que produz melhores resultados é sem dúvida a utilização de uma objectiva específica para macro, sendo também a mais onerosa. Para os utilizadores de máquinas de visor directo, esta opção pura e simplesmente não existe, obrigando-os a recorrer a uma das seguintes alternativas. Trata-se de uma objectiva que para além duma capacidade de focagem a curta distância (até 1:1), possui também uma qualidade óptica superior;

 

B.

É possível colocarem-se lentes adicionais à frente da objectiva primária, de modo a reduzir a mínima distância a sua distância mínima de focagem, aumentando-se pois o tamanho do motivo. A quantidade de luz que chega à película manter-se-á inalterada (flash à mesma distância) mas haverá uma maior ou menor perda de qualidade por adição de mais “vidro” no caminho da luz. De realçar que a nova distância de focagem será fixa no caso das máquinas de visor directo, limitando as opções do fotógrafo, o que já não acontece no caso duma reflex;

 

C.

A outra hipótese consiste na colocação de um simples tubo (designado por tubo de extensão) entre a objectiva e a máquina com a finalidade de aumentar a distância ao plano do filme, reduzindo-se mais uma vez a mínima distância de focagem. Neste caso, como não se colocou nada no caminho da luz, a qualidade da imagem final permanecerá inalterada, mas haverá uma maior ou menor perda de luz (dependendo do comprimento do tubo) sendo necessário aproximar mais o flash do motivo e/ou utilizar maiores aberturas (número “f” mais pequeno). Também aqui, a correcta e única distância a que é possível focar, para uma máquina tipo Nikonos V, é materializada pelas guias, ao passo que, tal como no caso anterior, com uma reflex, apenas se perde a capacidade de focar para lá de determinado ponto, mantendo-se assim a versatilidade do sistema que tanto pode ser utilizado para fotografar pequenas criaturas ao perto como outras maiores ao “longe”;

 

D.

A quarta opção, só possível com máquinas reflex, consiste em utilizar um teleconversor (de uma forma simples, pode ser entendido como um tubo de extensão no interior do qual se colocaram diversos elementos ópticos). São vulgarmente designados por 1,4x ou 2x e são colocados como um tubo de extensão. O objectivo não é reduzir a distância mínima de focagem mas sim multiplicar a distância focal da objectiva (p.ex: uma objectiva 105mm com um 2x será equivalente a uma 210mm). Há também aqui uma perda de luz (2 stops no caso do 2x e 1 stop no de 1,4x) acrescida de uma certa perda de qualidade na imagem, mas apresentando a enorme vantagem de permitir fotografar algo bastante pequeno sem necessidade de uma maior aproximação. É aqui que é necessário utilizar um flash de maior número guia ou aproximá-lo realmente mais do motivo.

 

Faça-se luz

 

Relativamente ao flash a utilizar, deverá ter preferencialmente um modo de funcionamento em TTL (embora isto seja uma questão pessoal e existam situações em que o deveremos utilizar em manual), temperatura de cor elevada, próxima da da luz do dia, a rondar os 5000 a 5700ºK (dado que a reduzida quantidade de água entre ele e o motivo, não alterará significativamente as cores produzidas) e pequenas dimensões e peso (já que vamos fotografar “o muito pequeno”, não faz sentido utilizar um canhão!).

Tanto a questão do TTL como o da temperatura de cor, não são dogmas e têm uma abordagem completamente diferente no caso dos utilizadores de máquinas digitais. De facto estes podem, de imagem para imagem regular a temperatura de cor da foto, contrariamente a um utilizador de película que se vê “encalhado” entre as características do flash e as da película que tem na máquina. Quanto ao TTL, não será tão necessário, pela possibilidade de se ver imediatamente o resultado no ecrã da máquina, facilmente consegue conjugar a abertura com a distância/potência do seu flash, de forma simples e sem incertezas. De resto, e no actual estado de desenvolvimento da fotografia digital, a utilização dos actuais flashes anfíbios, está limitada ao controlo manual.

 

Por outro lado, para macro, e dadas as curtas distâncias, um flash com um NG de 8 é suficiente bem como um ângulo de cobertura de 70º. Apesar disto, a vantagem de NG mais elevados é inegável para a obtenção de maiores profundidades de campo e/ou de tempos de reciclagem mais curtos e/ou maior distância. Como em tudo na vida, há que optar…

 

Outra característica a ter em conta, é a luz “mira” incorporada, que facilita não só a orientação do flash em locais sombrios e proporciona uma pré-visualização do efeito antes mesmo de se tirar a fotografia (isto para quem não utilize máquinas digitais, claro).

 

Quanto às películas a utilizar, há que dar preferência àquelas de grão muito fino e com elevada saturação de cores. Normalmente isto é sinónimo de uma sensibilidade de ISO 50/100, que é suficiente, porque vamos utilizar apenas luz artificial, cuja intensidade controlamos.

No mercado existem excelentes marcas, e deve ser o próprio fotógrafo a fazer os seus testes e a analisar os resultados, pois p.ex., um flash com uma certa temperatura de cor pode dar excelentes resultados com uma película, ao passo que com outro flash poderá já não se passar o mesmo. Tal como noutros tipos específicos de fotografia, cada fotógrafo tem uma sensibilidade diferente e gostos próprios, preferindo uns as películas contrastadas e de cores fortes, ao passo que outros podem preferir tons mais suaves e menos berrantes.

 

Questões práticas

 

Uma nota para os utilizadores de SLR em caixas estanques: quando se opta pela utilização de tubos de extensão ou de teleconversores, surge um problema de ordem prática: a objectiva deixa de estar na posição prevista pelo fabricante da caixa o que pode provocar a impossibilidade de lhe regular a abertura e/ou a focagem. Para resolver estes dois problemas, dependendo do conjunto máquina/objectiva e da própria caixa estanque, há algumas hipóteses a ter em conta.

Caso haja a opção do controlo do diafragma da objectiva através de um qualquer botão no corpo da máquina, a sua activação resolve desde logo o problema. Caso contrário deve-se indagar sobre a existência de algum acessório que permitirá alcançar o anel dos diafragmas da objectiva na sua nova posição. Se tudo isto falhar, resta sempre a solução de pré-fixar a abertura num valor reduzido (f/22, p.ex.) e controlar a exposição apenas através do flash.

Quanto ao problema da focagem, para além do eventual acessório disponível no fabricante ou de um controlo próprio na janela plana a utilizar, a utilização da simples focagem por aproximação/afastamento físico do motivo resulta por vezes ideal. Terá no entanto de haver o cuidado de pré-focar a objectiva para a distância (ou relação de reprodução) a que se pretende trabalhar.

Em qualquer caso, se isso for viável, ao comprar o tubo de extensão ou o teleconversor, deve-se optar por um modelo completamente automático, ou seja, um que permita a passagem através dele do controlo do diafragma e da focagem.

Para fazer face às necessidades dos adeptos de macro, que se entretêm a empilhar tubos de extensão com teleconversores e lentes de close-up (mais sobre isto num próximo artigo…), as marcas de caixas estanques optaram por um de dois caminhos possíveis. Ou obrigam o fotógrafo a comprar outra janela óptica cujo “canhão” é mais longo, com os inconvenientes daí resultantes na bagagem do viajante-fotógrafo, ou disponibilizam anéis de extensão com diversos comprimentos para a própria caixa, os quais podem inclusive ser empilhados obtendo-se o comprimento desejado.

 

Para os utilizadores de máquinas da Motormarine ou da Nikonos, a principal questão com que se debatem é sem dúvida a da existência das próprias guias, indispensáveis para a funcionalidade do conjunto.

Há uma opção, que embora não seja a solução milagrosa, contorna parte do problema. Consiste em montar duas pequenas lanternas num suporte apropriado e orientadas para que a coincidência dos seus focos marque o centro da fotografia à distância correcta. Fica no entanto por resolver a questão dos limites do enquadramento…

 

Para facilitar a focagem e/ou o enquadramento pode-se utilizar uma pequena lanterna montada na máquina/caixa de modo a que se possa orientar livremente. Não é necessário utilizar nenhum lampião! Uma lanterna com 3 a 7 watts de potência é geralmente suficiente. Só a experiência pessoal e o gosto de cada um poderão ditar qual o modelo mais adequado para cada caso. Para a fixar à máquina existem suportes específicos para diferentes lanternas, mas com um pouco de paciência facilmente se conseguirá um suporte personalizado.

 

Pode-se também optar por montar a referida lanterna no próprio flash (através de simples elásticos cortados de uma câmara de ar) permitindo assim utilizá-la simultaneamente como auxiliar de orientação do próprio flash. No entanto isto torna complicado conjugar de forma satisfatória as necessidades de iluminação para ver/focar/enquadrar (preferencialmente com uma luz frontal) com as de uma correcta iluminação por parte do flash (raramente frontal). Na imagem seguinte, o flash foi colocado directamente por cima do cerianto, para lá da sua linha média, produzindo este efeito de “iluminação interior”, muito efectivo com sujeitos translúcidos.

 

 

Para orientar os flashes de modo conveniente, é necessário possuir uns braços articulados. Estes poderão ser constituídos por inúmeras secções, como na imagem ao lado, ou mais simplesmente, por apenas duas, de comprimentos entre os 12 e os 20 cm cada, ligadas por meio de grampos que permitam um fácil e rápido reposicionamento, sem necessidade de desapertá-los. Idealmente e para um maior conforto de utilização, deverão existirem três grampos por braço, um junto ao flash, outro na ligação das duas secções e um terceiro junto à máquina. Deste modo não haverá limitações de movimentos, as quais são gritantes nos braços simples que equipam de série muitos conjuntos básicos máquina+flash. De facto, por não terem qualquer rótula ou articulação, são completamente inadequados para a fotografia macro, onde a necessidade de uma orientação precisa e de reajustes frequentes são uma constante. Para além disso, obrigam a uma distância excessiva entre o motivo a ser fotografado e o flash, com a consequente perda de luz, que por sua vez terá efeitos nefastos na profundidade de campo.

 

O peso subaquático dos braços é por vezes o maior responsável pelo peso total do conjunto o qual se pode reflectir negativamente nos resultados e/ou na ergonomia do sistema. Para aliviar esse peso, há fabricantes que inclusive propõem secções flutuantes. Outra hipótese consiste na utilização de uma (ou mais) pequena bóia de material esponjoso mas não compressível, vulgarmente utilizadas na pesca com redes de profundidade. Evitar as de plástico porque são mais pesadas e não permitem que se alargue o buraco interior para as enfiar no braço.

 

Como recurso, pode-se sempre segurar o flash na mão, solto da máquina, mas isto vai ocupar a mão esquerda, tão necessária para a estabilização do corpo e/ou para uma aproximação suave e imperceptível dum motivo mais nervoso. Refira-se ainda que este método é de todo impraticável se se utilizarem simultaneamente dois flashes, a fim de suavizar as sombras e aumentar as hipóteses de uma iluminação mais criativa.

 

Sendo um mundo fascinante e ilimitado, a fotografia é sem dúvida uma das melhores apostas, quer para o principiante quer para o fotógrafo experiente, dada a frequente falta de visibilidade das nossas águas e a abundante vida que prolifera nos nossos fundos.

 

Boas fotos!
Rui Guerra

 

 
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