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CPAS - Artigos de fotografia subaquática: Fotografar a baixa profundidade

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Sexta-Feira, 23 de Jun 2017 . 22:32

 

ARTIGOS DE FOTOGRAFIA SUBAQUÁTICA

Por Rui Guerra

Fotografia a pouca profundidade

Você é do tipo de mergulhadores que só gosta de mergulhos abaixo dos 40 metros, em águas tenebrosas e frias, onde cada metro mais aumenta desproporcionalmente o seu ego? É daqueles que a primeira coisa que diz, depois de tirar o regulador da boca, é “Conseguimos ir aos 52 metros…mas é um mergulho muito complicado…a corrente era fortíssima…!”, ao mesmo tempo que sobe a bordo com o ar mais macho que consegue, dando ares de que é um verdadeiro veterano da Guerra das Profundidades? É daqueles que quando lhe falam num mergulho a 10 metros não tenta disfarçar o seu desdém e ar paternal para com aqueles “novatos”? Bem, se quer levar a fotografia subaquática a sério, é bom que mude radicalmente a sua maneira de pensar!

 

Efectivamente, é a pouca profundidade que se conseguem a maioria das excelentes fotos que se vêm por todo lado. É a pouca profundidade que a luz e a vida são mais intensas, num jogo de cores e formas, proporcionando condições únicas para imagens cheias de impacto. É também a pouca profundidade que os condicionalismos inerentes ao mergulho, seja ele em apneia ou com escafandro autónomo, podem passar para um segundo plano, dando ao fotógrafo maior autonomia e liberdade para se dedicar de corpo e alma à sua paixão.

 

Quando comparado com o seu homólogo de superfície, o fotógrafo de natureza subaquático vê o seu trabalho complicar-se por um conjunto de factores que o impedem de competir a nível de produtividade e condições de trabalho. Em terra podemos permanecer dentro de um abrigo durante várias horas ou mesmo dias à espera que um animal selvagem se comporte desta ou daquela maneira ou que no mínimo apareça. Debaixo de água isto é simplesmente impossível.

Em terra podemos trocar de lentes numa questão de segundos sempre que necessário, mas debaixo de água não. Em terra podemos ir gastando e trocando rolos ou cartões de memória ao passo que em fotografia subaquática estamos limitados a um por máquina e por mergulho. Em terra praticamente qualquer problema de baterias ou avarias pode ser remediado ao passo que debaixo de água significa o fim do mergulho fotográfico. Em terra podemos vestir mais ou menos roupa e adaptarmo-nos às condições climatéricas do momento ao passo que uma vez iniciada a imersão só podemos optar entre aguentar ou abortar o mergulho. Em terra damos como garantido o simples acto de respirar mas, uma vez abaixo da superfície, temos que gerir este indispensável e precioso recurso, sendo, curiosamente e literalmente, o nosso mais pesado acessório de fotografia subaquática!

 

Ah, e quanto a custos? O que diria o fotógrafo de natureza terrestre se por cada hora que passasse a fotografar pagasse uma taxa pelo ar que respira de aproximadamente 4 euros (ou talvez 7 euros se pensarmos em x)? E se para além dos já habituais custos com a gasolina, portagens e afins, tivesse que pagar mais uns 15 euros (correspondentes ao barco/saída de mergulho) desde a beira da estrada até ao local em que iria efectivamente fotografar? E se para além dos já avultados gastos com o equipamento fotográfico comum, ainda tivesse que investir mais uns milhares de euros em equipamento específico para fotografia subaquática e em equipamento de mergulho?

 

E se para além de todos estes problemas, lhe disséssemos que antes de poder fotografar, teria que tirar um curso especializado para simplesmente permanecer vivo durante as secções fotográficas, e que, ao longo dessa escassa hora em que pode fotografar continuamente, tem que dividir a sua atenção e tempo com a monitorização de diversos instrumentos que controlam o seu bem-estar imediato e a sua saúde a longo prazo?

 

Perante este cenário, que apesar de um tanto pessimista não é menos real, o mínimo que o fotógrafo subaquático pode fazer é tentar maximizar as hipóteses que tem. Uma das coisas que pode fazer é optar por mergulhos pouco fundos o que desde logo vai diminuir as limitações de ar e aumentar substancialmente o tempo de mergulho reduzindo simultaneamente as probabilidades de sofrer um acidente de descompressão. Se a sua opção for o mergulho em apneia, o factor profundidade terá uma importância ainda maior, e permitirá ao fotógrafo prolongar por várias horas uma jornada fotográfica sem esforço e com segurança acrescida. Pela “descontracção” que proporciona, o mergulho a pouca profundidade permite uma maior concentração o que potencia desde logo melhores resultados. Por último, nestas condições, é possível obter excelentes fotografias sem sequer se utilizar um flash, o que simplifica desde logo toda a questão.

 

Como já foi referido, a menos que se pretenda fotografar algo específico em águas mais profundas, permanecer em águas baixas significa estar onde os níveis de luz são mais elevados e onde geralmente há uma maior concentração de biomassa.

A maior quantidade luz significa também maiores contrastes que podem ajudar a dar vida às imagens, embora, tecnicamente, possam ser mais difíceis de gerir.

 

Contrariamente ao que vulgarmente se pensa, é precisamente a pouca profundidade que são necessários flashes mais potentes e máquinas mais “de topo” no que diz respeito à sua velocidade máxima de sincronização. Numa típica fotografia de ambiente pretende-se que o azul da água apareça correctamente retratado juntamente com um primeiro plano correctamente iluminado pelo flash. Mais genericamente, pretende-se um equilíbrio entre a luz natural e a luz artificial, o que torna evidente a necessidade de um potente flash, ou mais correctamente, de um com elevado Número Guia (NG), bem como a possibilidade de o utilizar com uma velocidade de obturação elevada.

 

Quando aplicamos uma das “regras” mais básicas da fotografia de ambiente, a de fotografar de baixo para cima, iremos obter uma imagem em que frequentemente o Sol faz parte integrante do enquadramento. Para controlar a dimensão do seu “clarão” (ou seja, controlar a quantidade de luz ambiente) recorre-se à utilização de uma velocidade de obturação bastante elevada, frequentemente na ordem dos 1/250 0 seg., conjugada com um diafragma bastante fechado (f/16 ou f/22). Com este tipo de enquadramento contra-picado (de baixo para cima) qualquer motivo mais próximo aparecerá como uma simples e negra silhueta. Para a iluminarmos, teremos obviamente que recorrer a um flash. Ora é aqui que começa o problema. Dependendo da máquina utilizada, é possível que quando se liga o flash, a velocidade desça automaticamente para um valor mais baixo (isto é, vai descer para a velocidade máxima utilizável em conjunção com um flash, que é designada por “velocidade máxima de sincronização”). Quanto mais baixa ela for, tanto mais teremos que fechar o diafragma para manter o nível de luz ambiente no mesmo nível. Mas quanto mais pequena for a abertura (maior valor f) tanto mais luz de flash será necessário, ou seja, mais perto este deverá estar ou maior deverá ser o seu NG, uma vez que a definição de NG é isso mesmo, a saber, “é a abertura a utilizar com um motivo a um metro de distância e com uma película de sensibilidade ISO 100”.

 

Permanecer em pouca água abre igualmente as portas a um sem número de oportunidades, como é o caso da fotografia a seres pelágicos (“no azul”), fotos do tipo “meio-ar/meio-água”, reflexos na superfície, etc. Abre também as portas à exploração de um novo conjunto de cenários acessíveis com um reduzido arsenal como sejam as lagunas deixadas pela maré vazante, rios e zonas alagadas, piscinas e um sem número de outros ambientes.

 

Seja arrojado, corajoso e radical. Arrisque-se a mergulhar POUCO fundo…

 

Boas fotos!
Rui Guerra

 

 
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