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CPAS - Artigos de fotografia subaquática: Fotógrafo prevenido

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Sexta-Feira, 23 de Jun 2017 . 22:35

 

ARTIGOS DE FOTOGRAFIA SUBAQUÁTICA

Por Rui Guerra

Fotografo prevenido...

 

- Contrariamente ao habitual, não vou desta vez falar de fotografia!

- “O quê?! Então isto não é suposto ser um artigo sobre fotografia subaquática?” – pergunta você

- Exactamente…

- “Mas então…não estou a perceber…”

- Bem, eu disse que não ía falar de fotografia mas o tema deste artigo tem tudo a ver com melhorar os resultados em fotografia subaquática.

 

Não é só saber diafragmas, potências, ISO’s ou sensores que é importante. Embora estes conceitos tenham o seu lugar lógico no background do fotógrafo aficionado, eles são o segundo degrau dos requisitos para uma foto de qualidade. Ninguém sobe ao topo de uma montanha sem saber andar primeiro. E depois de saber andar, há ainda todo um equipamento específico que é preciso saber escolher e usar. Também no nosso caso, é necessário primeiro aprender a mergulhar e, frequentemente, o passo que se dá ao passar para o mergulho com uma máquina fotográfica é demasiado grande para o mergulhador iniciado. Sem o devido acompanhamento, a frustração é a habitual companheira de mergulho.

 

Algo que nunca é demais repetir é a necessidade de nos conseguirmos estabilizar bem em qualquer posição debaixo de água antes de tentar tirar a fotografia. Um passo de cada vez. Demasiadas vezes vejo pessoas que, devido à sua ainda pouca experiência de mergulho, se colocam em frente ao motivo de máquina na cara só para descobrirem que estão constantemente em desequilíbrio quer por não terem ajustado previamente a flutuabilidade quer por não terem tido em conta a agitação do mar. Resultado: montes de suspensão levantada e nenhuma fotografia.

 

Após o curso toda a gente sabe (ou devia) utilizar o colete, o octopus ou o computador, mas a questão que deve ser posta é se saberá utilizar estes equipamentos em conjunto com o de fotografia, é saber se a escolha feita foi a adequada às necessidades específicas do fotógrafo subaquático ou se simplesmente, o modo como se configura o equipamento será aquele que mais facilita o seu uso, e por consequência, o que aumenta a segurança e o conforto debaixo de água. Quanto mais confortável estivermos e mais seguros nos sentirmos, maior será a nossa concentração no acto fotográfico e maiores serão as hipóteses de sucesso. Passemos a pente fino o equipamento de mergulho e vejamos com optimizar a sua utilização abaixo da superfície. No texto que segue irá encontrar o nome de marcas e modelos de equipamento que utilizo, os quais são apenas a minha opção pessoal, não significando que não possa haver outras marcas ou modelos que cumpram igualmente bem as suas funções.

 

FATO

 

Quente, quentinho, mas não a transpirar! É essencial que a temperatura dentro do facto seja mantida num nível adequado à nossa actividade do momento. Esse equilíbrio térmico deve começar logo fora de água. De Inverno e com um fato liso no interior tipo “especial de caça”, água quente dum termos com um pouco de shampôo, agiliza a tarefa de o vestir e evita o choque térmico de o vestir com água fria. O facto de se utilizar água quente vai permitir um aquecimento do próprio neoprene e retardar o aparecimento do frio (não esquecer do corta-vento nas deslocações de barco).

 

Um fato seco num dia quente de Verão, deve ser vestido só momentos antes da entrada na água, para evitar a desagradável transpiração e consequente condensação uma vez dentro de água. O calor em excesso, além de perigoso, é a força motriz que nos leva a querer entrar na água o mais depressa possível, podendo ser a causa de descuidos no manuseamento do equipamento fotográfico que podem sair caro! Já de Inverno, este tipo de fatos deve ser vestido antes de se abandonar o cais, pois contrariamente ao que muita gente pensa, também se pode ter frio com um fato seco, é tudo uma questão de tempo Há assim que tentar conservar todo o calor corporal, dentro daquilo que nos faça sentir confortáveis. Embora com vantagens evidentes em águas frias, a perda de alguma capacidade de movimentação e uma maior atenção na monitorização e controlo da flutuabilidade podem não ser os melhores aliados do fotógrafo subaquático. Tudo depende da aquacidade de cada um e das condições vigentes.

 

Embora utilize de Inverno um fato seco de membrana, durante o Verão opto por utilizar um semi-seco de 7 mm devido à rapidez com que se veste, leia-se, devido à rapidez com que fico pronto a saltar para dentro de água, o que pode ser mais um factor para não perder uma oportunidade fotográfica, para além de me libertar tempo para outras tarefas fotográficas.

 

LUVAS

 

Sempre que possível utilizo as luvas mais finas que conseguir para as condições de mergulho que vou encontrar. Recentemente encontrei umas destinadas a caça submarina da Tribord que têm a particularidade de terem a palma da mão revestida a borracha o que melhora grandemente a preensão da máquina.

 

 

 

OCTOPUS

 

Não utilizo! Opto pelo AIR2 da Scubapro que tem a dupla função de injector de colete e regulador, podendo desempenhar as duas funções simultaneamente. É menos uma mangueira com que ando e em caso de necessidade dou à pessoa que está em apuros aquilo que sei estar a funcionar de certeza: o meu regulador principal (ficando eu a respirar pelo AIR2). É prático e funcional.

 

 

 

MÁSCARA

 

Embora seja do conhecimento comum que um baixo volume interno facilitam a compensação da máscara evitando a sua placagem, já não é assim tão óbvio como conjugar esta característica com todas as outras desejáveis para quem utiliza uma câmara. Uma visão abrangente e a mais desobstruída possível é também algo que se deve ter em conta na sua escolha. Durante anos utilizei a TUSA Platina que aliava um conforto surpreendente a uma visão muito boa. Recentemente, quando me deram a experimentar a nova TUSA Viewtrek, rapidamente mudei para ela. Apesar de bastante parecida com a que já usava, uma vez no rosto o campo de visão muito mais alargado e a menor distância do vidro aos olhos, fazem toda a diferença. Outras características a ter em conta são a própria altura do rebordo exterior dos aros em relação ao vidro, devendo ser a mais baixa possível (idealmente quase inexistente) para não interferir quando se aproxima o olho do visor. Este rebordo deveria também idealmente ser construído/revestido em silicone para evitar o enervante barulho da máscara a bater no visor (muitas caixas estanques têm o rebordo do visor revestido de borracha para evitar este problema). O silicone constituinte da máscara deve ser de cor negra para facilitar a visão através do visor da máquina. O conforto e estanquicidade da máscara no nosso rosto são obviamente os factores finais que devem ditar a sua compra ou não. Para backup, coloquei uma pequena bolsa na precinta de cintura do colete onde transporto sempre uma máscara de reserva.

 

TUBO

 

Embora seja ensinado durante o curso que o tubo deve ser utilizado mesmo em mergulho com escafandro autónomo e haja quem o utiliza na máscara permanentemente, não é a meu ver muito seguro pois caso algo se prenda ao tubo pode arrancar-nos a máscara da cara e por isso eu opto por o prender permanentemente no colete através de duas tiras de câmara-de-ar. Deste modo basta puxá-lo para baixo para que ele se solte e fique pronto a ser simplesmente enfiado por debaixo da precinta da máscara. Para além das questões de segurança que o tubo pode desempenhar, do ponto de vista do fotógrafo, é um acessório muito útil para fotografar à superfície, evitando-se a utilização do regulador, bem mais volumoso, barulhento e com todas as bolhas à nossa volta que não são o ideal para fazer fotos meio-ar / meio-água, p.ex.

 

BÓIA DE PATAMAR

Considero-a como um elemento de segurança indispensável em qualquer mergulho que não seja feito no meio das rochas junto à costa. Pode significar a diferença entre se ter o barco ao nosso lado assim que finalizarmos o mergulho ou ficar horas no mar à deriva. Como a temperatura das nossas águas não é das mais amenas, facilmente se entrará num estado de hipotermia que pode ter consequências fatais. Como fotógrafo procuro utilizar coisas pequenas e manejáveis que não entrem em conflito com a razão pela qual mergulho: tirar fotografias. Optei assim por utilizar o vulgar modelo com pouco mais de um metro de comprimento, mas com uma pequena alteração: atei um fio de 2mm com cerca de 10 metros de comprimento e marcado (com uma caneta de acetato) aos 3, 6 e 9 metros. Na sua extremidade prendi um elástico de câmara-de-ar e um pequeno peso de chumbo redondo que se vende nas casas de artigos de pesca. Para acondicionar a bóia, abro-a e vou colocando progressivamente o fio lá para dentro, até à sua extremidade (onde está o peso e o elástico). Fecho-a, estendo-a no chão e enrolo-a sobre si mesma utilizando o tal elástico para abraçar o rolo e assim a puder pendurar com um mosquetão a um D-ring traseiro do colete, onde vive permanentemente. Para utilizar no fim do mergulho, quando chego aos 9-10 metros de profundidade, basta desprendê-la do D-ring, tirar a câmara-de-ar, desenrolar, injectar uma quantidade de ar muito pequena só para a manter vertical dentro de água e dar um puxão no chumbo deixando-o cair para o fundo enquanto puxa atrás de si todo o fio de dentro da bóia. Em seguida basta injectar o resto do ar necessário e deixá-la partir para a superfície deixando à minha frente um fio esticado que não apresenta qualquer os vulgares problemas de se emaranhar nas barbatanas ou no carreto que se utilizasse.

 

COMPUTADOR

 

Utilizo um simples computador de pulso da Uwatec que coloco no braço direito. A razão é simples: se vou controlar a subida com a mão esquerda (para accionar a purga do colete) e para me segurar ao cabo, então o lógico é colocar o computador no outro braço, tanto mais que durante o mergulho é a zona em que está mais visível pois é com a mão direita que seguro a máquina e fotografo. Mesmo quando estou imóvel em frente a um motivo à espera de uma situação concreta, de máquina apontada, consigo ler o computador com um simples relance. Não sou grande apologista dos computadores de transmissão de dados via rádio, pois grande parte das vezes perdem momentaneamente a leitura quando o flash dispara. Isto só não acontece se o flash tiver uma carcaça em alumínio pois fará o efeito da Gaiola de Faraday, impedindo as interferências. De qualquer modo são sem dúvida uma boa opção no sentido de se reduzir mais uma mangueira (a do manómetro).

 

Coloquei um pequeno cordelete que coloco à volta do pulso como medida adicional de segurança para não o perder, e é também no computador que fixei um corta cabos ou Z-knife para assim estar à vista e ser facilmente acessível.

 

MANÓMETRO / CONSOLA

 

Nunca fui adepto de grandes consolas penduradas as quais além de não serem nada ergonómicas têm o inconveniente de andarem sempre a bater onde não devem, danificando a vida fixa e levantando suspensão. Além disso exigem (tal como o manómetro) normalmente a utilização de uma mão para serem consultadas. Optei assim por utilizar um manómetro de reduzidas dimensões da Scubapro mas com uma pequena adaptação: descarnei-o do revestimento de borracha, passei-lhe uma câmara-de-ar à volta do “pescoço” e voltei a colocar a protecção de borracha. Quando me equipo, a mangueira do manómetro vem ao longo do braço esquerdo e prendo-o ao pulso esquerdo com a câmara-de-ar como se de um relógio se tratasse. Fico assim com as mãos libertas para fotografar ou fazer o que quer que seja e evito simultaneamente que ele ande a bater no fundo.

 

REGULADOR

 

Neste campo as duas características importantes do ponto de vista do fotógrafo é o seu tamanho (mais exactamente o quanto é que ficam salientes em relação à face devido à possibilidade de encostarem às costas da caixa estanque e impedirem uma correcta aproximação dos olhos ao visor) e o modo como libertam as bolhas. Já utilizador de longa data dos reguladores da Scubapro, fiquei naturalmente satisfeito quando a marca lançou uns “bigodes” par o seu modelo S600, que conduzem as bolhas para o lado da cara, resolvendo o problema delas passarem constantemente entre a máscara e a máquina quando se está a fotografar numa posição vertical.

 

COLETE

 

Sem dúvida que a opção de quase todos os fotógrafos vai para o tipo de coletes mais técnicos, tipo asa, que pelos seus múltiplos pontos de ajuste os tornam mais cómodos. Por outro lado os D-rings que possuem são o ideal para prender diversos acessórios.

 

Boas fotos!
Rui Guerra

 

 
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