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CPAS - Artigos de fotografia subaquática: Meio-ar/Meio-água

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Terça-Feira, 23 de Mai 2017 . 21:28

 

ARTIGOS DE FOTOGRAFIA SUBAQUÁTICA

Por Rui Guerra

Meio-ar/Meio-água

Introdução

 

Esta imagem foi obtida numa barragem utilizando uma objectiva de 16mm (olho-de-peixe), sem qualquer flash.

Se bem que o ambiente subaquático seja prolífico em matéria fotografável, nem sempre se consegue contar toda a história através de uma simples fotografia subaquática. Quantas vezes o motivo subaquático está intimamente ligado ao meio acima das águas, sendo como que uma extensão deste. Com o objectivo de expressar esta relação surgiu um tipo de imagem designado por “Half-In/Half-Out” ou “Meio-ar/Meio-água”, através do qual se tenta mostrar o melhor de dois mundos.

 

Os problemas

 

Para se obterem este tipo de imagens é necessário segurar a máquina nivelada e a meio do interface ar/água. Há que, desde logo, procurar equilibrar o peso da caixa estanque o melhor possível, reduzindo o seu peso para facilitar ao máximo este tipo de imagem em que metade da caixa está fora de água. Pode-se recorrer a pequenas bóias utilizadas nas redes de pesca, a simples garrafas de água vazias ou a bocados de esferovite ou material similar. O objectivo é chegar a um sistema cómodo de segurar à superfície. A escolha de um local em que possamos apoiar os pés (nem sempre possível) facilita grandemente todo o processo.

 

Uma outra questão surge relativamente às pequenas gotículas de água que ficam na parte emersa do domo, algo que é mais frequente acontecer nos domos de matéria “acrílica” do que nos de vidro. Há quem utilize produtos (disponíveis nas lojas de acessórios de automóveis) aplicados à superfície externa do domo para facilitar o escorrimento das referidas gotas. Pessoalmente sempre preferi manter o domo escrupulosamente desengordurado, evitando correr o risco de recorrer a produtos que podem ter algum efeito indesejável.

 

O desafio final consiste em encontrar locais que proporcionem imagens interessantes, de modo a valorizar tanto a parte aérea como subaquática.

 

Na prática irão surgir problemas que têm de ser correctamente avaliados e solucionados. De modo a facilitar a sua compreensão poderemos dividi-los em problemas de exposição e em problemas relacionados com a focagem. Para ambos existem três soluções possíveis, ou mais exactamente um “expediente” para evitar o problema, uma “solução directa” através da utilização de equipamento vulgar em fotografia subaquática e uma “solução técnica” recorrendo a material específico.

 

Problemas de exposição

 

A absorção da luz, característica no meio subaquático, cria um diferencial de exposição entre a parte aérea da imagem e a parte subaquática que pode atingir os 2 EV ou até um pouco mais. Esta diferença, para além do facto de poder exceder os limites aceitáveis para uma boa exposição da película, do ponto de vista estético vai criar uma diferença demasiado grande, introduzindo uma descontinuidade na imagem que deve ser minimizada. A este propósito convém referir que um filme para diapositivos tem uma latitude de exposição inferior ao das películas de negativos.

 

Aqui optou-se por utilizar uma objectiva de 16mm (olho-de-peixe) com a ajuda de um flash de grande angular para iluminar a zona do fundo por baixo do destroço. Utilizou-se a medição pontual para medir a zona do céu ao entardecer e regulou-se o flash através do seu NG (Número Guia).

1. O “expediente”:

A melhor forma de resolver um problema é evitar que este apareça! Donde o objectivo é tentar evitar que aparece o tal diferencial de exposição. Procurando locais de baixa profundidade com fundo de areia clara é a solução mais frequente. Genericamente, qualquer fundo (ou motivo) suficientemente claro dará o mesmo efeito.

 

2. A “solução directa”:

Para resolver o problema pode-se recorrer ao uso de um flash para iluminar a metade subaquática. Isto irá levantar duas questões: a primeira é a distância a que o motivo terá que estar para ser efectivamente iluminado pelo flash, sem esquecer o seu ângulo de iluminação; a segunda questão prende-se com o aumento de peso e volume do equipamento a utilizar o que, dependendo da situação e da destreza de cada um, poderá constituir um contra a tomar em consideração.

 

 


3. A “solução técnica”:

Para esta solução é necessário recorrer aos serviços de uma óptica. A ideia é utilizar um tipo de filtro frequente em fotografia de natureza “terrestre”, o ND (Neutral Density). Trata-se de um tipo de filtro de densidade neutra, ou seja, que não altera as cores, mas que atenua a intensidade da luz. O mais utilizado para fazer “meio-ar/meio-água” é o que atenua cerca de 2EV. Pegue-se então num filtro ND de diâmetro apropriado ao da objectiva, leve-se à óptica e peça-se para o cortar ao meio montando-se de novo a metade no aro. Resta apenas enroscá-lo à frente da objectiva de modo a que a metade que contém o filtro coincida com a parte aérea da imagem. De notar que esta solução não é exequível quando se utiliza uma objectiva fisheye, cujo ângulo de visão extremo impede a utilização de qualquer filtro montado frontalmente. Por outro lado o uso do ND limita logo à partida o modo de fotografar (vertical / horizontal), sendo necessário optar antes de entrar na água.

 

Problemas de focagem

 

Tendo em conta a cor clara da medusa, utilizou-se apenas uma meia-lente com o intuito de “aumentar” a profundidade de campo da objectiva de 20 mm utilizada.

Dada a necessidade de se utilizarem objectivas de grande angular, é obrigatório o uso de um domo o que vai provocar o aparecimento de uma imagem virtual, do motivo, muito mais próxima da objectiva do que este está na realidade. Se a isto juntarmos o facto da parte aérea da imagem ser normalmente constituída por uma paisagem distante, estão reunidos os ingredientes para um sério problema ao tentar manter ambas correctamente em foco.

 

1. O “expediente”:

Se não houver diferença de distâncias não há problema, certo? Donde basta então escolher uma situação em que ambas as partes da imagem se encontrem num mesmo plano (p.ex. um barco fundeado em que se veja também o casco; uma pessoa em pé com agua até à cintura; um molhe ou pontão de um porto de abrigo, etc.). A diferença de distâncias devida à existência da imagem virtual criada pelo domo será facilmente resolvida pela normal profundidade de campo da objectiva. Também o uso de uma película de maior sensibilidade (ou do ISO equivalente nas máquinas digitais), pelas menores aberturas (maior número f) que permite, proporcionam uma maior profundidade de campo que é sempre desejável.

 

2. A “solução directa”:

As únicas objectivas com suficiente profundidade de campo para resolver a esmagadora maioria das situações, são as fisheye (olho-de-peixe). No entanto o seu uso introduz dois problemas adicionais: um deles surge quando alguma das áreas a fotografar se encontra a alguma distância, tornam-se demasiado pequena na imagem final e perdendo impacto; o outro surge quando (em especial na parte aérea) existam construções, pessoas ou árvores altas, p.ex., junto aos limites da imagem, devido à curvatura produzida por este tipo de objectivas, o que pode resultar pouco natural.

 

3. A “solução técnica”:

Mais uma vez está na altura de se recorrer aos serviços da nossa óptica de confiança. Desta vez iremos munidos de uma lente de close-up para ser sacrificada e reduzida a metade. A “potência” desta lente deverá ser a aconselhada pelo fabricante para uso com o domo em causa (geralmente entre +2 e +4). O resultado final, uma meia-lente, será colocado à frente da objectiva na zona da imagem subaquática pois será apenas aí que a imagem virtual existirá. È como se colocássemos uns óculos de ver ao perto na objectiva, mantendo sua capacidade de ver ao longe (tipo lentes progressivas). Mais uma vez, utilização desta meia-lente e a sua posição vai limitar as opções relativamente ao enquadramento (vertical ou horizontal).

 

Notas finais

 

Com vista a manter a rectidão das linhas dos edifícios, optou-se por uma objectiva de 20mm, com a ajuda dum filtro no qual a parte superior é constituída por um ND e a inferior por uma lente (ver abaixo).

Frequentemente recorre-se a uma montagem em que no mesmo aro coexistem o filtro meia-lente, com o objectivo de resolver ambos os problemas simultaneamente. Em qualquer caso a utilização de qualquer tipo de “meio-filtro” produz uma linha visível a meio da imagem que, supostamente, deverá coincidir exactamente com a linha de água para passar despercebida, o que é bastante difícil. Com este mesmo objectivo, o Sol deve estar nas nossas costas, pois caso contrário o limite dos filtros será demasiado evidente.

Pode-se optar por utilizar uma ente em conjunto com um Gradual ND no respectivo suporte, o que evita a necessidade de cortar este último e torna o conjunto mais versátil. No entanto esta opção só é utilizável com certas caixas estanques dada a necessária dimensão da abertura para a objectiva. Também é possível utilizar um filtro polarizador, que em determinadas condições dá excelentes resultados.

 

À esquerda uma meia-lente simples. À direita uma montagem composta por um ND juntamente com uma meia-lente.

Relativamente ao modo de medir a luz, a medição matricial aliada a um modo semi-automático dá normalmente bons resultados.

Quanto à focagem, o autofocus só poderá ser utilizado caso seja possível descentrar o sensor utilizado. Na sua impossibilidade é preferível pré-focar antes de colocar a máquina na caixa estanque (caso não se tenha controlo manual da focagem através da caixa) e confiar a profundidade de campo para resolver o resto da questão.

 

Está então na altura de ir até à praia, de toalha e caixa estanque na mão, e de se divertir nas águas baixas e cheias de luz na companhia da família. Afinal, nem sempre a fotografia subaquática nos leva para longe dos entes queridos e nem sempre é necessário fazer mergulho ou sequer vestir um fato de neoprene…

 

Boas fotos!
Rui Guerra

 

 
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