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CPAS - Artigos de fotografia subaquática: Modelo subaquático

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Quarta-Feira, 26 de Abr 2017 . 18:41

 

ARTIGOS DE FOTOGRAFIA SUBAQUÁTICA

Por Rui Guerra

O Modelo Subaquático

Em grande parte das imagens de paisagens submarinas aparece sempre um mergulhador a explorar o ambiente que o rodeia. Isto é especialmente verdade nas fotos utilizadas pelas agências de viagens, com o objectivo de transmitir a sensação de se “estar lá” e com isso despertar a vontade de viajar até esse destino. Este elemento humano é importante para fazer a ligação da nossa condição terrena ao meio aquático, servindo simultaneamente como escala (mais ou menos distorcida) de comparação com os elementos que o rodeiam.

 

Esse mergulhador, designado como “modelo” na gíria da fotografia subaquática, pode ser o nosso parceiro de mergulho, pode ser um qualquer mergulhador que por casualidade aparece na foto ou, mais frequentemente, pode ser alguém que é instruído para se colocar nesta ou naquela posição, ocupando determinada zona da imagem final.

 

Uma das maiores dificuldades é exactamente a de encontrar um parceiro de mergulho que esteja disposto a abdicar um pouco do seu simples mergulho e a acatar as instruções do fotógrafo, que por vezes são um tanto abstractas e aparentemente sem sentido. Deverá também ser um mergulhador com bastante experiência e à vontade dentro de água, com um bom domínio na posição do seu corpo e controlo de flutuabilidade. Não se deve descurar o facto de o modelo estar sujeito a grandes variações de profundidade durante o mergulho, por via dos desejos do fotógrafo que tão depressa o quer ao longe, perto da superfície como solicita a sua presença junto à entrada duma gruta a 20 metros. É pois imperioso que o modelo utilize um computador de mergulho e esteja ciente de todas as regras e procedimentos de segurança, minimizando tanto quanto possível os riscos inerentes à sua função.

 

É também desejável que se encontre minimamente em forma, de modo a poder nadar eficazmente e sem demasiado esforço a meia água na presença de correntes, ou simplesmente para conseguir manter a sua posição durante vários minutos.

 

Apesar de poder ser agradável, não é indispensável que o modelo seja uma rapariga jeitosa de longos cabelos soltos e fato cor-de-rosa, embora isso possa ser uma mais valia em determinadas circunstâncias…

 

O mais importante é a sua atitude (sem dúvida…) dentro de água (ora bolas!) e o seu espírito de sacrifício (no caso do fotógrafo ser muito repugnante…). Não se deve exigir muito do modelo, especialmente se ainda não está à vontade no seu papel, sendo preferível efectuar uma pequena sessão fotográfica logo de início e libertá-lo no resto do mergulho para que o possa gozar e lhe fique alguma vontade de posar de novo. Deve se sempre enveredar pelo encorajamento e não pela crítica destrutiva. Basta que se invertam os papéis para que nós, como fotógrafos, nos apercebamos das reais dificuldades que se colocam ao modelo. De vez em quando, a oferta de uma foto bonita, em que o modelo esteja correctamente fotografado, só podem fazer bem a uma colaboração futura. Há que cativar e incentivar o modelo e não criticá-lo incessantemente..

 

Existem basicamente duas opções para a “utilização” deste elemento humano.

 

Uma primeira hipótese consiste em fotografá-lo a curta distância (a tal situação em que uma modelo feminina leva vantagem…), frequentemente interagindo com a fauna local e constituindo ele próprio uma parte principal da imagem. É um tipo de imagem que apesar de contar com o seu séquito de seguidores, está um bocado gasta e vulgarizada, sendo frequente cair-se no erro de ser o modelo o principal e único ponto de interesse da mesma. Faça-se um pequeno exercício mental: retire-se o modelo de cena e veja-se se resta algo digno de nota.

 

Outra hipótese consiste em colocar o modelo mais à distância, normalmente como mera silhueta de pequena dimensão, transmitindo uma maior sensação de tridimensionalidade à fotografia e dando uma maior ênfase ao motivo que ocupa o primeiro plano. É um tipo de imagem que se apoia na técnica designada por CFWA (Close Focus Wide Angle) que quando bem conseguida produz uma imagem cheia de impacto e emoção. Pretende-se assim que o modelo apenas complemente o motivo principal e não que concorra com ele pela atenção do observador. Um cuidado que se deve ter é o de colocar o modelo completamente recortado contra o azul da água de forma a não interromper a sua linha de silhueta por qualquer coisa que lhe esteja à frente ou atrás. Neste caso é completamente indiferente o seu sexo, idade ou compleição física pois é a posição genérica do corpo e a sua postura que vão fazer a grande diferença, muito mais que a forma do corpo em si.

 

Tanto num caso como noutro, é importante prestar algum cuidado na configuração do equipamento de mergulho, evitando-se a todo o custo peças penduradas (manómetros, consolas, sejam fotógrafos, modelos ou simples alunos de mergulho, que andam com o octopus e/ou consola livremente pendurados sem que se apercebam das implicações a determinados níveis que tal prática acarreta. Para além de tudo o mais, prender todo o equipamento junto ao corpo, aumenta o nosso hidrodinamismo e faz, em última análise, com que o deslocamento debaixo de água seja mais fluido e fácil.

 

 

 

 

 

 


Há pormenores em que o modelo se deve empenhar para melhorar o seu aspecto na fotografia, como sejam evitar pernas ou braços abertos, pernas demasiado flectidas, barbatanas em ângulo recto com o corpo, etc. Há até uma regra simples de compreender e que serve de base para melhorar esta questão. É a regra dos 45º que diz que o modelo se deve posicionar a 45º em relação a todos os eixos: não deve estar de barriga par baixo nem nadar de lado, deve estar rodado a cerca de 45º em relação ao seu eixo, virando o peito para o lado da máquina; não deve estar perpendicular em relação ao eixo da objectiva nem nadar directamente para ela, deve-se aproximar a 45º, não deve estar completamente para baixo nem completamente vertical, deve estar numa posição oblíqua.

Se depois desta explicação o leitor estiver feito num nó à volta da perna duma cadeira, não se preocupe, isto é apenas uma regra que depois de compreendida deve ser quebrada a gosto. Não se trata de nada dogmático ou rígido, que impeça a criatividade ou originalidade. Digamos que é o BÊ-Á-BÁ do modelo para evitar erros como ter a cabeça para baixo ou nadar afastando-se da objectiva. Há que analisar a situação, visualizar a imagem e tentar criá-la do melhor modo possível.

 

Por último há que referir que o papel do modelo, quer seja em competições ou não, vai mais além que o de posar para a câmara. Desempenha um importante papel de assistente, procurando motivos ou ajudando mesmo fisicamente o fotógrafo em diversas situações fotográficas (segurando flashes, ajudando na estabilidade, etc.). No fundo, o modelo é e deverá ser entendido como um parceiro fundamental e como um factor acrescido de segurança e de divertimento do próprio mergulho.

 

Boas Fotos!
Rui Guerra

 

 
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