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CPAS - Artigos de fotografia subaquática: Retratos de grutas e buracos

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Terça-Feira, 23 de Mai 2017 . 21:27

 

ARTIGOS DE FOTOGRAFIA SUBAQUÁTICA

Por Rui Guerra

Retratos de grutas e buracos

Introdução

 

Nikon D70 em Caixa Subal, Objectiva 10,5 mm DX fisheye, Flash Subtronic Mega Color. Dada a extrema capacidade de aproximação desta objectiva é possível utilizar pequenos motivos como esta gorgónia de 15 cm para o primeiro plano. A limpidez das águas permitiu utilizar o arco rochoso como enquadramento de segundo plano.

Durante o mergulho é possível encontrá-los um pouco por todo o lado, desde os recifes tropicais até às águas mais geladas e sombrias. São eles que muitas vezes deixam uma marca na lembrança de determinado mergulho. É dentro delas que se encontram criaturas da noite ou monstros da imaginação. Para as explorar completamente e em segurança, além de espírito aventureiro é muitas vezes necessário formação adequada e algumas estão muito para além dos domínios do mergulhador comum.

 

Falo das grutas, buracos, cavernas, cavidades e afins. Para o fotógrafo subaquático, a sua exploração do ponto de vista estético representa quase sempre uma oportunidade única de enquadramento a não perder. Se bem que a penetração em grutas e naufrágios requeiram formação adequada e cuidada, e o próprio perfil do mergulhador desempenha um papel importante, neste artigo vou-me cingir à zona imediatamente após a sua entrada e que de um modo geral se pode considerar uma extensão do domínio do mergulho recreativo. Apesar de ser uma zona de baixo risco pela sua proximidade com a entrada, deve ser sempre considerada com ponderação, pois os riscos inerentes ao espaço confinado, suspensão e luz reduzida estarão sempre presentes. Também a tentativa de penetração em buracos mais ou menos apertados poderá ter consequências nefastas para o equipamento ou até para a vida do mergulhador. Um bom controlo de flutuabilidade, experiência e sangue frio são a chave para a segurança e para os bons resultados. Deve também ser tomado especial cuidado para evitar danificar a vida fixa que normalmente povoa o substrato rochoso nestes locais.

 

O Equipamento e a Técnica

 

Nikon F100 em Caixa Subal, Objectiva 16 mm fisheye, Flash Subtronic Alpha Pro. Durante um mergulho solitário consentrei-me em procurar enquadramentos simples mas eficazes de modo a proporcionar algum impacto às imagens. Como não tinha ninguém que fizesse de modelo procurei conjugar dois elementos de forma harmoniosa, inclinando a máquina para obter uma diagonal.

Neste tipo de fotografia são utilizadas exclusivamente objectivas de grande angular, com ângulos de visão entre os 90 e os 180º. Se bem que hajam cavidades de pequenas dimensões e que estejam perfeitamente dentro da alçada de objectivas de ângulos mais modestos (como muitas zooms) há um outro factor que deve ser levado em conta: a profundidade de campo e a visibilidade. De facto o tema deste artigo é o retrato de grutas e buracos na sua zona de entrada, ou seja, fotografados utilizando de algum modo a sua entrada como enquadramento principal, a qual poderá servir também de moldura a um qualquer sujeito fotográfico. Frequentemente recorre-se a uma técnica de enquadradamento pela gigantesca e mais longínqua entrada duma caverna subaquática ou, inversamente, fotografar uma pequena abertura dum buraco numa rocha (que deve estar muito perto da objectiva) e enquadrar através dele um mergulhador mais distante. Em ambos os casos quaisquer um dos planos devem estar igualmente focados, dentro da zona abrangida pela profundidade de campo. Daí a necessidade de se recorrer a objectivas de grande angular. Se assim não se fizesse, para além do risco da menor profundidade de campo inerente ao novo enquadramento, pela necessidade de afastar mais qualquer um dos motivos (de modo a caber no menor ângulo da objectiva), haveria também uma menor nitidez e recorte resultante do efeito de difusão da água, reduzindo-se drasticamente a qualidade da imagem final.

 

Quanto ao modelo (o nosso parceiro de mergulho) que irá aparecer, a solução mais simples é deixá-lo cá fora de modo a ser emoldurado pela entrada da gruta. Há que explicar-lhe antes do mergulho quais as nossas intenções e dizer-lhe claramente aquilo que dele pretendemos. O seu simples nadar em frente à entrada é muitas vezes o suficiente. Só há que combinar os sinais a utilizar e o modo deste apontar a lanterna (se a levar). Quanto ao fotógrafo, deve prever também o uso duma pequena lanterna, não só para procurar algum motivo dentro da gruta, como para ver onde se apoia e para ver os comandos da própria máquina. Neste aspecto, tanto no caso da máquina como do flash, se os respectivos painéis de controlo forem rectro-iluminados tudo será mais simples.

 

O número de flashes a utilizar pode ser zero ou ir até dois, de grande angular, que são normalmente mais pesados e volumosos e que por isso podem ser um “senão” bastante importante em diversas situações. Basta um toque com um flash numa das paredes para provocar uma nuvem de sedimentos que arruinará uma foto à partida cheia de interesse. Apesar de em grande angular se optar na maioria das situações por braços relativamente longos, no espaço confinado duma qualquer cavidade a dimensão desses conjuntos pode ser bastante difícil de manobrar. Há que dobrá-los de modo a aproximar mais o flash da máquina ou optar logo à partida por uns mais curtos. Saliente-se desde já que neste tipo de imagens nem sempre é necessário utilizar um flash que seja. É a própria forma da entrada da gruta e o seu contraste com o azul da água que dão parte do impacto à foto. Só se em primeiro plano houver algo a que queiramos dar ênfase é que se deve recorrer à utilização do flash para o iluminar. Como em qualquer outro tipo de fotografia o uso do flash deve ser sempre ponderado e não passar a ser uma obrigação em toda e qualquer fotografia.

 

Qual é então a técnica correcta a empregar? Para simplificar a questão, deve-se seguir uma série de passos de modo sequencial de modo a evitar enganos ou confusão, diminuindo as hipóteses de erro e diminuindo também o tempo necessário de permanência no interior da gruta.

 

Nikon F70 em Caixa Ikelite, Objectiva 20 mm. O azul intenso das águas neste dia e a forte lanterna que o meu buddy levava deram-me a ideia de compor uma imagem simples mas que despertasse a sensação de exploração de uma gruta. Pedi-lhe que saísse e que voltasse a entrar com a lanterna apontada para o meu lado. Sem flash, enquadrei a entrada com a máquina na vertical e disparei uma sequência, da qual esta foi a seleccionada

Em primeiro lugar há que seleccionar o modo de operação da máquina de “Manual”, permitindo-nos assim exercer um completo controlo tanto da abertura como da velocidade. Isto é muito importante uma vez que a dimensão relativa da entrada, na fotografia, pode ser bastante pequena e o negro dominante do seu interior pode levar o sistema automático a ecção do tipo de medição de luz o qual deverá ser colocado em “Pontual”. Efectivamente o que se pretende é usar um tipo de medição que nos permita, uma vez dentro da gruta, medir com precisão a luz na sua entrada, livre da influência da zona negra (paredes interiores) que a rodeiam. Caso a máquina não tenha este tipo de medição, terá de se fazer a leitura com uma área de água maior, isto é, imediatamente após a zona de entrada e antes de se evoluir mais para dentro. Isto permite reduzir a área de parede escura que influirá negativamente um fotómetro não pontual.

 

Nikon F100 em Caixa Subal, Objectiva 16 mm fisheye. Durante um mergulho num local baixo, pedi a um outro fotógrafo que nadasse simplesmente na horizontal em determinada direcção, enquanto eu o enquadrava através dum buraco numa rocha com não mais de 50 cm de diâmetro. A extrema profundidade de campo conseguida e a perspectiva forçada da objectiva permitiu um resultado satisfatório em águas de visibilidade não superior a 4 metros

Esta medição da luz da entrada dará o ponto de partida em relação ao par abertura / velocidade a escolher o qual poderá ser alterado caso se utilize um flash cujo Número Guia (NG) e/ou regulações de potência não sejam consentâneos com a abertura seleccionada. Uma pequena tabela, colada na traseira da máquina, com as diversas potências do flash versus aberturas versus distâncias poderá ser também um precioso auxiliar e encurtará grandemente o tempo necessário para fazer todos os ajustes. Quando se analisa o par abertura / velocidade deve-se dar uma particular importância à profundidade de campo (que se deve conhecer à priori, grosso modo, antes de se entrar na água) e à velocidade. A velha regra de utilizar pelo menos uma velocidade que seja tão ou mais rápida que 1/distância-focal-da-objectiva, permite aqui algumas excepções, caso o fotógrafo tenha uma mão firme (ou algum apoio). O uso de velocidades bastante lentas (1/15 seg. ou menos) tem a vantagem de permitir aberturas mais pequenas com vantagens evidentes. Para a estabilização da máquina recorre-se algumas vezes ao uso dum tripé lastrado o que permite utilizarem-se velocidades de vários segundos caso seja necessário.

 

Nikon F100 em Caixa Subal, Objectiva 20 mm, Flash Subtronic Alpha Pro. Antes de penetrar na gruta e, conforme combinado no barco, pedi ao meu companheiro que aguardasse o sinal da minha lanterna para efectuar uma série de passagem em frente à entrada da gruta até que eu fizesse novo sinal para parar. Uma vez no interior procurei um motivo para colocar em primeiro plano (o espirógrafo) e enquadrei inclinando a máquina de modo a colocar todos os elementos numa posição mais diagonal.

Uma vez no interior a escolha do enquadramento e da dimensão relativa da entrada será uma escolha pessoal e depende grandemente daquilo que tivermos em mente para o resultado final. Se se optar por iluminar um sujeito no seu interior, enquadrá-lo contra a parte negra da gruta irá aumentar o seu impacto de cor e deixará espaço para se colocar o modelo, p.ex., contra a entrada da mesma. Há que simplificar ao máximo a foto e torná-la o mais simples e límpida possível. Por último há ainda que chamar a atenção para um ponto que pode fazer toda a diferença e que é a posição relativa da entrada. O facto da abertura visível da cavidade estar completamente na vertical, p.ex., não nos obriga a enquadrar estritamente nessa posição. Pode-se inclinar a máquina propositadamente e com isso conseguir algo que nos agrade mais.

 

Situações similares

 

De um modo geral, a técnica aqui descrita tem a sua aplicação também noutro tipo de situações em que não se está exactamente no interior duma gruta. É o caso, p.ex., do interior dum naufrágio, da parte inferior dum alpendre rochoso ou dum costado dum navio, ou genericamente sempre que a nossa visão da zona de água livre seja parcialmente obstruída por algum motivo. Nestes casos é possível seguir os passos acima descritos pois, do ponto de vista meramente técnico, são situações idênticas. Com a experiência será fácil agrupar os diversos casos que se apresentam em grupos distintos consoante a técnica a aplicar. Em última análise, e a todos os níveis, uma foto não deve ser o espelho taxativo da realidade mas sim a sua interpretação por parte do fotógrafo.

 

Boas Fotos!
Rui Guerra

 

 
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