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CPAS - Artigos de fotografia subaquática: Silhuetas

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Quarta-Feira, 26 de Abr 2017 . 18:42

 

ARTIGOS DE FOTOGRAFIA SUBAQUÁTICA

Por Rui Guerra

Silhuetas

Falar de fotografia subaquática é falar de azuis intensos, de raios de luz através das águas, de seres e ambientes fantásticos. Mas é também falar de algum mistério, de sombras e vultos do nosso imaginário e de formas que ganham vida nesse mundo líquido.

Essas sombras, formas e vultos são os ingredientes para um dos tipos de imagem mais espectaculares que se podem criar debaixo de água: as silhuetas. Através delas recriamos um pouco daquilo que vai na nossa mente, delineando as formas com mestria e damos relevo à luz subaquática que desempenhará o papel principal.

É através das silhuetas que colocamos umas “reticências” em cada imagem, que mostramos muito do que vimos mas é também através delas que deixamos espaço para a imaginação do observador completar a história.

 

Tratando-se de imagens que na sua essência devem ser graficamente simples, com um mínimo de elementos, a composição de imagem, tal como noutros campos de fotografia, assume um papel preponderante. Toda a atenção do observador será dirigida para a forma e posição do motivo e qualquer falha na sua colocação será facilmente notada. Diagonais, simetrias esféricas e molduras, enquadramento vertical / horizontal ou padrões repetitivos são alguns dos parâmetros de composição que se podem aplicar aquando do enquadramento da cena com vista à obtenção duma silhueta (ver também o artigo “A Harmonia na Imagem”).

Há no entanto uma excepção que convém sublinhar. Normalmente tenta-se obedecer à regra do movimento, isto é, deixa-se mais espaço à frente dum motivo que atrás quando este se desloca em determinado sentido (ou quando para aí está virado). Isto aplica-se sobretudo no caso dos peixes e outros seres marinhos, em que deixamos mais espaço livre à frente da sua cabeça do que atrás da cauda, descentrando-os na imagens. Ora quando se fotografam silhuetas este “descentrar” pode não produzir os melhores resultados pois dá a ideia duma falha por parte do fotógrafo no enquadramento. Será melhor centrar o motivo e recorrer a outras regras (diagonais, p.ex.) para dar mais dinamismo à imagem. Isto também porque em fotografia de silhuetas tentamos transmitir mais a forma do motivo e não tanto outra qualquer característica que tenha a ver com o seu comportamento ou habitat.

 

Para dosear a luz ambiente, a única que se utilizará, há que ter um especial cuidado na sua medição de forma a obter-se o resultado desejado. Esta é uma daquelas situações em que os automatismos, duma maneira geral, comportam-se mal e em que é necessário muita experiência para se avaliar correctamente o histograma duma máquina digital. É talvez preferível recorrer-se a métodos mais lentos mas mais previsíveis optando-se pelo controlo manual da exposição. De entre todos os tipos de medição de luz que a nossa máquina dispõe, a medição pontual é a que melhor se adapta para este tipo de fotografia. Deve-se medir a luz da água imediatamente ao lado do motivo e, geralmente, dar-lhe uma sobreexposição que pode ir até dois stops. Ou seja, o objectivo é criar uma imagem com o fundo claro e o motivo escuro, em silhueta. O primeiro passo, obviamente, é colocarmo-nos numa posição tal que permita enquadrar o motivo contra a zona mais clara da água: a superfície. Quanto menos fundo nos encontrarmos mais luz receberemos da superfície e mais facilmente se criará uma silhueta. Além disso, fotografar em direcção à superfície, terá a vantagem adicional de se excluírem do enquadramento grande parte dos elementos estranhos que nos rodeiam e que em nada valorizam a imagem. Para que haja contraste entre o motivo e a água é preciso que esta fique bastante clara e daí a sobreexposição de até 2 stops. Esta sobreexposição é feita simplesmente à custa de se aumentar a abertura (ou baixar a velocidade) até que a escala do visor da máquina indique mais dois pontos. No caso de motivos que nadem a grande velocidade (um leão-marinho, p.ex.) a melhor opção consiste em colocarmo-nos na zona do fundo sob a área onde o leão anda a fazer as suas brincadeiras, colocar a máquina em manual, medir a luz vinda da superfície e escolher o par abertura-velocidade que dê alguma sobreexposição, enquadrar para a superfície e, por fim, aguardar que o leão-marinho passe sobre nós e/ou que assuma uma posição estética.

 

Cabem aqui algumas palavras acerca do equipamento a utilizar. Se bem que seja possível realizar silhuetas com qualquer tipo de objectivas, a solução mais usual é recorrer-se às de grande angular, as quais permitem uma perspectiva mais agradável e são mais apropriadas para os seres marinhos maiores e para os naufrágios. As fisheye são as que produzem resultados mais espectaculares. Não esquecer que, apesar de com um naufrágio não ser normalmente possível levar à letra parte do que acima se disse, nas fotografias normais de destroços com flash, o fundo é exactamente constituído com a silhueta de parte do naufrágio…

Relativamente ao flash que não é utilizado, há que ter o cuidado de o virar para trás e não apenas de o desligar. A razão é simples: na esmagadora maioria dos casos, após a sua utilização, o

condensador (componente electrónico onde é armazenada uma grande quantidade de energia vinda das baterias) está carregado e, mesmo que se desligue o flash, continua a ser enviado o sinal de disparo da máquina produzindo “flashadas” até que se esgote o condensador. O facto de estar desligado apenas impede o recarregar do condensador mas não corta a comunicação com a máquina. A excepção a isto é quando se utilizam os flashes terrestres dedicados em caixa estanque.

 

Como vê, basta uma máquina, pouca água e alguma imaginação para produzir algumas fotografias bonitas. A técnica é aqui mais importante que o equipamento e mesmo em apneia conseguem-se bons resultados.

 

Boas Fotos!
Rui Guerra

 

 
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