QUEM SOMOS | CONTACTOS

 
 
 
 
 
 

  ( 1573537 ) visualizações

  ( 81332 ) visitantes

  ( 2 ) online

PRINCIPAIS ÁREAS

Cursos de mergulho Cursos de náutica Área de Ambiente Marinho Estação de Enchimentos
CPAS - Artigos de fotografia subaquática: Silhuetas

>> CPAS :: Arquivo :: Artigos de fotografia subaquática

Terça-Feira, 23 de Mai 2017 . 21:28

 

ARTIGOS DE FOTOGRAFIA SUBAQUÁTICA

Por Rui Guerra

Super-Macro

Sempre que se fala de fotografia subaquática é dito que o modo mais fácil de começar é pela macro. Não são necessárias grandes visibilidades, não interessa a cor da água nem a profundidade, se é de dia ou de noite, etc. No campo das regulações do equipamento, é também voz corrente que com um pequeno flash em TTL, máquina em autofocus, abertura a f/22 e uma velocidade de 1/60, “fica tudo bem e é só apontar e disparar”.

 

Como seria de esperar, há um pouco de verdade em tudo isto, mas há que ter em conta que estas linhas gerais de orientação podem ser aplicadas apenas na fotografia de close-up ou na de macro até à relação de 1:1. Mesmo assim, quando se trabalha com escalas tão elevadas é necessário recorrer a outros estratagemas para melhorar os resultados.

 

O que dizer então quando se passa a barreira do 1:1? Entra-se num novo universo, o da super-macro em que não nos limitamos a fotografar a vida na sua verdadeira dimensão. Entra-se no reino do Liliputiano onde o primeiro desafio é conseguir ver a olho nu aquilo que se quer fotografar. Esse mundo quase microscópico, passa despercebido ao mergulhador vulgar, e torna-se necessário mudar quase radicalmente a nossa postura e o nosso habitual esquema de mergulho. Não iremos agora percorrer grandes distâncias, nem tão pouco vaguear ao longo de uma parede. O mais certo é pararmos longos minutos em frente a uma rocha procurando destrinçar o mais pequeno movimento, a mais pequena criatura que possa ter interesse fotografar. Depois de a encontrarmos, há ainda que analisar se o local e a posição em que se encontra serão os ideais para tentar a fotografia. Isto porque em super-macro a rapidez não é a nossa melhor conselheira.

Tudo é mais complicado e para se obterem resultados consistentes é necessário uma posição bastante estável e uma mão firme com um perfeito controlo do enquadramento e distância ao motivo. Quantas vezes não sucede encontrarmos um bichito engraçado e, só depois de repetidas tentativas é que conseguimos colocá-lo dentro do enquadramento, que é enormemente reduzido devido ao grande factor de aumento. Mesmo a passagem de 1:1 para 2:1 significa logo uma mudança acentuada que se traduz num aumento de dificuldade a todos os níveis. is fácil de começar não é procurar novos seres de pequena dimensão mas sim fotografar partes dos motivos habituais, que serão mais fáceis de localizar e que permitirão assim rentabilizar melhor o tempo de mergulho. A este respeito convém desde já alertar para o facto de se tratarem de mergulhos em que a imobilidade reina e os tempos de fundo são esticados frequentemente a mais de 1H30. Por outras palavras, nas nossas “quentes” águas, que nos meses que se avizinham rondam os 13-14ºC de temperatura, um fato seco com montes de roupa quentinha lá dentro, dar-nos-á sem dúvida a margem de paciência necessária para permanecer quase imóvel por longos períodos.

 

No que respeita ao equipamento fotográfico, a utilização de uma máquina reflex em caixa estanque é a opção mais utilizada e também a mais versátil. Partindo do principio que se costuma utilizar uma objectiva que por si só permite alcançar o 1:1, basta o adicionar de uma simples lente de close-up (+ 4, p.ex.) para permitir uma tímida entrada no universo da super-macro. Na prática é como se estivéssemos a colocar uns óculos de leitura na nossa objectiva, permitindo-lhe focar mais perto, à custa de se perder a capacidade de focar a médias e longas distâncias. No entanto, esta não é a melhor opção por diversas razões. A primeira é que normalmente as lentes de close-up que temos em casa não possuem a qualidade necessária para este tipo de fotografia. Se pensarmos que uma objectiva própria para macro tem uma construção, nitidez e recorte superior a uma de equivalente distância focal para uso normal, compreendemos que quando se fotografam pequenos detalhes é imprescindível que todo o conjunto tenha uma qualidade óptica a toda a prova. Pode-se investir numa lente de close-up de vários elementos, da mesma marca da objectiva, a qual é substancialmente mais cara mas permite manter quase inalterada a qualidade da objectiva inicial. A grande vantagem da opção pela lente de close-up reside no facto de não provocar qualquer redução no nível de luz que chega até à película/sensor e também não altera a posição da objectiva dentro da caixa, mantendo-se assim inalterado todo o seu funcionamento, apesar de não se conseguirem aumentos tão grandes como com um teleconversor ou tubo de extensão. Há que verificar no entanto se o comprimento total da objectiva com a lente não é superior ao espaço disponível. Se assim for, há a possibilidade de aumentar o comprimento da janela óptica, quer através da compra de anéis de extensão de diversos tamanhos que os fabricantes de caixas estanques disponibilizam, quer através da compra de uma nova janela óptica cujo canhão seja mais comprido. Se não houver a certeza de a lente tocar ou não na parte interior do vidro da janela, pode-se colocar um pedaço de uma folha com cerca de 5cmx5cm, sobre o topo da lente (objectiva virada para cima) e após se colocar a janela óptica verificar se a folha tem espaço livre para se deslocar à medida que se tomba a caixa para um ou outro lado.

 

A outra opção consiste em intercalar um teleconversor (2x de preferência) entre a objectiva e o corpo da máquina. Apesar de se ir perder cerca de 2 stops de luz fica-se com uma objectiva que ficará com o dobro da distância focal. Ou seja, se a objectiva for uma 105mm f2.8, com o teleconversor ficaremos com o equivalente a uma 210mm f5.6 que focará à mesma distância mínima mas que em vez de fazer 1:1, fará 2:1. Há aqui diversos “senãos” que é importante salientar.

 

Esta distância mínima na realidade não se irá manter, mas sim aumentar ligeiramente. A razão é simples: como consequência da refracção da luz através da janela óptica plana da caixa (idêntico ao que se passa com a nossa máscara de mergulho) a objectiva verá a imagem ainda mais aumentada e portanto será necessário afastar um pouco do motivo para obter uma correcta focagem. A acrescentar a isto há o maior comprimento físico do equipamento que nos vai obrigar a estar fisicamente mais longe do motivo. A soma destes dois factores torna por vezes desconfortável tal distância e pode inviabilizar a utilização da rocha onde se encontra o motivo como ponto de apoio/estabilidade. É por esta razão que costumo adicionar também um pequeno tubo de extensão (12mm) encurtando assim a distância mínima de focagem e ganhando ao mesmo tempo mais algum aumento. Na escolha do teleconversor, é sempre preferível optar por um modelo bem testado e com reputação de boa qualidade, pois embora os da própria marca da objectiva estejam projectados para optimizar ao máximo o desempenho do conjunto, o seu preço ou características fazem-nos optar por outras marcas. Pessoalmente utilizo o Kenko TelePlus Pro 300 2x, que para além de opticamente ser bastante bom, não assusta no preço e é completamente automático, ou seja, faz a transmissão tanto da abertura como da focagem entre a objectiva e o corpo da máquina. Estas características devem ser tidas em conta na escolha de qualquer elemento que seja intercalado entre a objectiva e o corpo da máquina (tubos de extensão incluídos) uma vez que podem fazer a transmissão só da abertura, da focagem ou de ambos.

 

A perda de luminosidade da objectiva (de 2.8 para 5.6) significa uma imagem bastante mais escura no visor, dificultando o enquadramento e a correcta focagem. Torna-se assim necessário utilizar uma pequena lanterna mesmo em situações que não seria necessário em “macro normal”. Convém que o suporte da lanterna seja suficientemente articulado de modo a permitir uma iluminação apropriada em cada situação. Testar bem e verificar se à distância mínima de focagem a janela plana não fará sombra à luz da lanterna. Pode-se tentar subir a posição da lanterna ou, melhor ainda, avançar a sua posição. Pessoalmente utilizo uma pequena lanterna da UW Kinetics, a Mini Q-40, aproveitando as precintas de silicone que trás para a prender a um troço de “mangueira” articulada utilizada normalmente em instalações fabris (Loc-Line). Com um pouco de engenho e algum cuidado facilmente se constrói um suporte para fixação da dita à caixa estanque. Há quem prefira prender a iluminação ao próprio flash, é tudo uma questão de gosto e de melhor se adaptar ao nosso modo de fotografar.  

 

Com a redução da abertura máxima efectiva da objectiva, perde-se também na rapidez e fiabilidade do autofocus mesmo com a ajuda de uma boa fonte de iluminação. É pois preferível optar pela focagem manual, que pode ser feita pelo controlo directo da objectiva, se isso for possível, ou pelo aproximar/afastar da máquina ao motivo.

 

Esta perda de luz tem também implicações ao nível da escolha do flash e da sua utilização. De facto, se antes se podia utilizar um f/22 com o flash a 40 cm do motivo, p.ex., com a perda dos dois stops de luz introduzidos pelo duplicador (outro nome dado aos teleconversores 2x) será necessário colocar o flash a 20 cm apenas ou optar por um modelo com maior Número Guia. Isto para já não falar da perda de luz introduzida por algum tubo de extensão, a qual será proporcional à sua dimensão. Por esta razão é também necessário optar por uns braços articulados e leves que permitam colocar o/os flash/es bastante próximos do motivo e na orientação desejada. Pode-se optar p.ex. pelos da Ultralight que além de muito práticos e fáceis de usar possuem secções de diversos comprimentos para melhor se adaptarem às circunstâncias. Também se pode utilizar as “mangueiras” da Loc-Line de maior diâmetro (1/2” ou 3/4”) para substituir os convencionais braços, sendo no entanto necessário construir os respectivos suportes em nylon ou alumínio.

 

Antes de todo e qualquer investimento nesta área, há que planear bem as coisas inquirindo os fabricantes acerca da disponibilidade do material que se pretende de modo prever se no final o equipamento irá funcionar do modo que se pretende ou não. Não seria a primeira vez que depois da compra dum teleconversor se descobre que não será mais possível controlar a abertura da objectiva! Haverão de certo limitações mas só deverão ser aceites aquelas que não sejam impeditivas de se fotografar correctamente.

 

Todas as imagens que ilustram este artigo foram obtidas com uma objectiva de 105mm, duplicador e tubo de extensão de 12mm.

 

Para finalizar resta referir que é possível combinar tudo junto, teleconversores, tubos de extensão e lentes de close-up para se atingirem relações de reprodução próximas do 10:1. Para lá disto, entramos no reino da Microfotografia…

 

Apesar de ser uma área fascinante, a Super-macro fotografia não deixa de requerer uma aplicação e um cuidado acrescidos por parte do fotógrafo, com a promessa de imagens espectaculares dum mundo raramente acessível aos olhos.

 

Boas Fotos!
Rui Guerra

 

 
ESTATUTOS | COMO SER SÓCIO | DONATIVOS

CPAS 2011

design by san.rod