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CPAS - Artigos de fotografia subaquática: Equilibrio de luzes

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Sexta-Feira, 23 de Jun 2017 . 22:36

 

ARTIGOS DE FOTOGRAFIA SUBAQUÁTICA

Por Rui Guerra

Equilíbrio de luzes

Quer se seja mergulhador ou não, a amplitude dos espaços marinhos, com os seus recifes de coral e peixes multicolores, são sempre um forte atractivo para o ser humano. Quer se trate de baleias, naufrágios, grutas, recifes de coral ou simplesmente da paisagem envolvente do último mergulho que se fez, para os imortalizar numa imagem, é necessário recorrer a um tipo de fotografia específico: a fotografia de grande angular, também designada por fotografia de ambiente.


Sendo uma área vasta e com muito para dizer, o tema deste artigo será restringido a um aspecto particular: o equilíbrio da luz natural, do Sol, com a da luz artificial, do flash.


Embora isso possa não ser muito evidente, e, apesar de se tentar mostrar uma zona grande do fundo marinho que não se conseguirá iluminar convenientemente com um flash, o que é facto é que o seu uso, mais ou menos subtil, é quase mandatório. No entanto, não é só por falta luz que o seu uso se revela necessário. É principalmente a falta de cor que deve ser compensada com o flash.


Efectivamente, com a elevada qualidade das películas de alta sensibilidade de hoje em dia, assim como a diminuição do nível de ruído presente nas imagens capturadas com máquinas reflex digitais a sensibilidades elevadas, tornam simples a resolução do problema dos baixos níveis de luz a maior profundidade. Há no entanto que ter em conta que a melhor qualidade possível (menor grão/ruído digital, melhor saturação de cores, maior contraste, etc.) se obtém com os valores de ISO mais baixos (películas de 50 ou 100 ISO, sensibilidades digitais equivalentes de 100 ou 200). A hipótese que resta é descer a velocidade e/ou escolher uma maior abertura (ver artigo “ABERTURA versus VELOCIDADE”). Seja qual for a opção, fica sempre por resolver o problema do restabelecimento das cores, parte das quais foram absorvidas pela coluna de água. Apesar de se conseguirem alguns resultados interessantes através do uso de filtros vermelhos específicos conjuntamente com as máquinas digitais, e apesar dos esforços de alguns fabricantes na produção de películas próprias para uso subaquático, há uma certeza que não pode ser negada: onde não existe um comprimento de onda (cor) não há filtro ou rolo que valha.


Que fazer então? Utilizar um flash para restabelecer completamente a gama de cores. A cada imagem pode ser decomposta em duas partes distintas (ou seja, duas imagens sobrepostas): uma formada pela sensibilização da película ou sensor pela luz natural, e outra, constituída pelo primeiro plano iluminado pelo flash.


Para se conseguirem resultados consistentes, há que utilizar a máquina em manual (controlo da abertura e velocidade pelo fotógrafo) o mesmo devendo acontecer com o flash. Este deverá, idealmente, possibilitar a regulação da sua luz, através do divisor de potências, botão junto ao qual estão inscritas as diversas “intensidades”: 1 (ou full); ½; ¼; 1/8; etc.). Mais detalhes a este respeito no artigo “Controlo do flash”.


Vejamos então, passo a passo, como conseguir um equilíbrio harmonioso entre os dois tipos de luz:


1.

Há que seleccionar uma velocidade que será o ponto de partida de todas as outras medições. Um bom método é escolher a velocidade equivalente mais próxima aquela que se obtém colocando “1” sobre a distância focal da objectiva. Por exemplo, se a objectiva for uma 20 mm, então 1/20 seg. será a velocidade a escolher, apenas como ponto de partida. Esta é uma regra orientativa, largamente divulgada no âmbito da fotografia geral, no sentido de se evitarem as chamadas fotos “tremidas”. Claro está que esta escolha deverá ser temperada com as condições vigentes no momento e com a destreza de cada um: mar agitado ou a dificuldade de estabilização por parte do fotógrafo são factores que aconselham uma velocidade de obturação mais elevada (1/40 ou mesmo 1/60 seg.).


2.

Seguidamente há que determinar a abertura que, conjugada com a velocidade escolhida, irá produzir uma exposição correcta da luz natural. Para isso, há que seleccionar primeiro o modo de medição de luz na máquina mais apropriado. Sem dúvida que o melhor, será a leitura pontual, na qual a máquina concentra 100% da sensibilidade do fotómetro incorporado numa pequena área da imagem. Consegue-se assim medir com exactidão um local específico da cena, livre de influências de zonas adjacentes. Na sua falta, pode-se recorrer à medição ponderada ao centro, embora esta analise toda a imagem (com maior ênfase à zona central) e por consequência pode conduzir a resultados um pouco mais imprevisíveis, pelo menos inicialmente. Desde já convém salientar que na esmagadora maioria das situações, o enquadramento deve ser na oblíqua, de baixo para cima (contra-picado) em direcção à superfície ou, no mínimo, na horizontal, para se conseguir uma maior separação entre o primeiro plano e o fundo e simultaneamente conseguirem-se maiores níveis de luz. Donde, a medição da luz natural deverá ser feita a meia-água, para se obter um tom azul-médio que é do agrado geral. Resumindo, escolhida a velocidade inicial, aponta-se a máquina para meio da coluna de água e regula-se a abertura até que o fotómetro indique um nível de luz correcto.


3.

Nesta fase, e antes de prosseguir, há que analisar conscientemente o par abertura-velocidade assim obtido. Será suficiente a profundidade de campo? Será a abertura máxima da objectiva suficiente para se conseguir uma leitura dentro da gama de aberturas disponíveis? Se a resposta a esta ou a outras perguntas for negativa, há que voltar ao ponto 1 e reajustar a velocidade de acordo com as necessidades.


4.

Ultrapassado o ponto anterior, resta um elemento para completar a imagem: a iluminação do primeiro plano com o flash. Uma vez que este poderá ocupar uma área mais ou menos extensa da imagem, o TTL será mais ou menos fiável, sendo usualmente necessário recorrer-se a algum tipo de compensação. Por esta razão, o melhor será recorrer ao controlo manual do flash através do seu NG (Número Guia). Os enganos que frequentemente acontecem com este método devem-se a uma de duas razões: ou erro no calculo da distância ao motivo ou erro na selecção da potência correcta. No caso da distância, com o acumular da experiência de mergulho, deixa de haver este problema, sendo mais intuitivo o avaliar das posições relativas dos objectos no meio subaquático. Por outro lado deve ser tido em conta que, para efeitos da aplicação da fórmula do NG (ou da leitura da tabela), a distância a considerar é aquela que vai do flash ao motivo e não da máquina ao motivo. Esta última, embora tenha a sua importância, não é relevante nos casos usuais de fotografia de ambiente. Ou seja, considerando a abertura obtida no ponto 2 e tendo em atenção o enquadramento, e, por consequência, a gama de distâncias a que será viável colocar o flash, selecciona-se a posição do botão do divisor de potências correcta e coloca-se o flash à distância aconselhada (segundo o ângulo em que se pretende iluminar o motivo). Caso não seja possível utilizar convenientemente o flash, quer pelas suas reduzidas regulações quer pelas distâncias.


Apesar de este método não apresentar nenhuma dificuldade de monta, exige sem dúvida uma aproximação metódica sob pena de se obterem resultados inconsistentes. Quando o emprego simples e directo dos diversos passos atrás descritos estiver dominado, está na altura de se introduzirem algumas variantes com vista a aumentar o impacto final. Por exemplo, em vez de se expor o fundo azul para um tom médio, pode-se optar por uma subexposição mais ou menos acentuada no sentido de aumentar o contraste do primeiro plano contra o fundo. De facto, uma esponja amarela ficará favorecida se o fundo for de um azul-escuro, ao passo que se for colocada contra o azul claro (da superfície ou não), toda a imagem sairá a perder. Do mesmo modo, dependendo do tom do primeiro plano, uma maior ou menor quantidade de luz do flash pode melhorar significativamente o resultado. É neste desvio do equilíbrio de luzes, num ou noutro sentido, mas sempre duma forma intencional e controlada, que reside a diferença entre algo banal e uma imagem excepcional. É aconselhável não se auto-impor limites mínimos de fotos tiradas por mergulho! De nada serve ter-se disparado um rolo inteiro se no fim apenas se conseguiram meia-dúzia de imagens medíocres.


Boas fotos!

Rui Guerra

 

 
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