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CPAS - Artigos de fotografia subaquática: Fotografar em "câmara-lenta"

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Sexta-Feira, 23 de Jun 2017 . 22:35

 

ARTIGOS DE FOTOGRAFIA SUBAQUÁTICA

Por Rui Guerra

Fotografar em "câmara-lenta"

Introdução

 

Sempre que se pensa em fotografia, subaquática ou não, esta é encarada sob o ponto de vista dum conjunto de conceitos mais ou menos verdadeiros e mais ou menos enraizados. De entre eles há um que assume uma importância preponderante: a nitidez da imagem.

Esta nitidez pode ser entendida sob vários aspectos e depende dum conjunto de factores que vão desde o equipamento utilizado à técnica empregue, passando pelas características associadas ao próprio sujeito, como sejam a sua dimensão, distância, velocidade e direcção do movimento. Todas estas questões estão interrelacionadas e não podem ser encaradas isoladamente.

 

Mas, até que ponto é que uma imagem tem que apresentar uma nitidez e recorte superiores? Até que ponto é que uma fotografia deve ser uma representação fiel da realidade? É sabido que muitas vezes se torna difícil captar o meio que nos rodeia em toda a sua essência, e por isso recorre-se a técnicas e/ou equipamento que permitem fotografar mais a interpretação que o fotógrafo faz da realidade do que a realidade em si.

 

De entre as limitações que uma fotografia pode apresentar, como imagem estática que é, a mais notória é sem dúvida a sua incapacidade de “gravar” o movimento de forma a transmitir o carácter fluído e em constante mutação do meio que nos envolve. Ou não será assim? Será que um dia conseguiremos fotografar a relação espaço-tempo, através do movimento que apresentam os seres à nossa volta? A resposta é “Sim!”. Na prática milhares de fotógrafos em todo o mundo já o fazem há muito permitindo que o movimento dos sujeitos fique impressionado na película ou sensor.

 

Estes movimentos têm a função primordial de melhor transmitir a experiência do fotógrafo no local ou de ser simplesmente um elemento criativo que dá resposta à procura de novos horizontes no campo de fotografia.

 

Técnica

 

Quer se tente fotografar um cardume de pequenos peixes ou um grande leão-marinho isolado, a técnica e equipamento utilizado tem que estar de acordo com os objectivos para a imagem em causa. Se bem que tudo seja possível neste domínio há geralmente duas situações que tendem a funcionar bastante bem. Uma delas é quando se tenda imobilizar parte da imagem permitindo que a outra parte fique com movimento, arrastada, mas tentando-se sempre manter um certo elo com a realidade observada. Como exemplos pode-se pensar num peixe que se segue com a câmara (panning) de modo a ficar relativamente nítido enquanto que o fundo fica completamente arrastado numa amálgama de riscos, padrões e cores. Num outro extremo pode-se tentar criar uma imagem puramente criativa em que a dominante é o próprio movimento em si e não o sujeito que procuramos fotografar. Neste caso tanto a composição da imagem como o controlo da cor ou outros parâmetros são muito mais difíceis de controlar. É aconselhável recorrer-se ao “bracketing”, isto é, à variação para mais e para menos de alguns parâmetros da fotografia (p.ex. da velocidade ou do grau de deslocação da máquina) de forma a aumentar as probabilidades de se obter o efeito pretendido. Como ex. pode-se pensar numa situação em que a máquina permanece imóvel permitindo ao motivo desenhar um rasto de movimento mais ou menos estilizado. E porque não “imprimir” movimento a um sujeito estático através da deslocação propositada da máquina?

 

Neste tipo de fotografia a utilização dum flash não é indispensável. É possível captar imagens magníficas só com luz ambiente, tanto mais que, dado o carácter instantâneo da luz artificial, esta só pode ser utilizada como complemento da primeira. Assim sendo, é fundamental permitir que a luz natural desempenhe o papel principal. O seu controlo e medição representam meio caminho andado para o sucesso. O outro meio tem a ver com a taxa de deslocação, relativo ao movimento angular do motivo (ou da máquina) relativamente à área abrangida pelo enquadramento (ver também o artigo “ABERTURA versus VELOCIDADE”).

Como ponto de partida pode-se seleccionar uma abertura bastante pequena como f/16 ou até f/22 deixando depois que o fotómetro da máquina defina a velocidade a utilizar. Esta deverá ser sempre bastante lenta, chegando-se a utilizar velocidades de 1 ou 2 segundos. Dependendo do gosto pessoal e do resultado obtido pode ser necessário efectuar várias tentativas até se atingir o objectivo. Neste campo as máquinas digitais são imbatíveis pela imediata possibilidade de se visualizarem as fotografias. Devem no entanto evitar-se utilizar as versões compactas e mais simples destes aparelhos pelo diminuto controlo da exposição que oferecem.

A escolha duma abertura pequena logo à partida tem a dupla vantagem de se conseguir uma boa profundidade de campo e, como tal, possibilitar a utilização da focagem manual (ou bloqueio da focagem automática) o que resulta mais prático nestas situações.

 

Quanto ao flash, se for utilizado, devê-lo-á ser apenas como intensificador de cor e de forma do motivo, congelando-o em determinado momento. Há que utilizá-lo em modo de sincronização à cortina traseira (se bem que o termo não faça muito sentido com algumas máquinas digitais que só possuem obturador electrónico). Neste modo de sincronização (seleccionado na máquina e não no flash), garante-se que este só disparará imediatamente antes do fim da exposição. Consegue-se assim que todo o movimento do motivo anterior a esse instante não receba luz, ficando reduzido a uma sombra arrastada, atrás do motivo, que se expressa como um simples rasto e que vai acentuar ainda mais a sensação de movimento. Talvez a maneira mais simples de controlar a sua luz seja no modo manual (através do seu Número Guia) de modo a iluminar mais ou menos levemente o motivo. Caso só se possua controlo TTL então à que compensar a exposição entre -0,5EV e -1EV, dependendo do efeito do motivo e da área ocupada por este.

 

Só a nossa imaginação é que limitará as experiências que se podem fazer neste campo. Uma coisa é certa: seja qual for o resultado, este será sem dúvida surpreendente e de certa forma libertador dos dogmas, regras e padrões da fotografia convencional.

 

 

 

 

Boas Fotos!
Rui Guerra

 

 
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